Livro: O Reno se lança no Tibre

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O livro publicado pela Editora Permanência é considerado a obra fundamental para se conhecer os bastidores do Concílio Ecumênico Vaticano II, um evento crucial na história da Igreja de Cristo, que se realizou na década de sessenta, gerando treze documentos que exercem uma profunda influência em toda a vida na Igreja e dos seus filhos.

Como o autor, que era sacerdote verbita, participou pessoalmente do Concílio, ele teve oportunidade para conversar com os principais membros ativos dos movimentos liberal e conservador e presenciar as suas lutas durante os debates e as votações dos esquemas, o livro é um testemunho precioso de um momento de inflexão da Igreja Católica.

Dentro do movimento liberal podem-se citar os nomes Karl Rahner, Bea, Ratzinger, dentre outros.

Karl Rahner
Karl Rahner um dos expoentes máximos da ala modernista que devastou a Igreja Católica.

Do movimento conservador destacam-se os Cardeias Don Dom Antônio de Castro Mayer, Don Ludo Lefebvre e o Bispo brasileiro de Dimantina Don Proença Sigaud.

Dom Geraldo de Proena Sigaud
Dom Geraldo de Proença Sigaud um nome importante do Concílio e desconhecido no Brasil.

O título faz referência aos rios Reno, que representa os bispos e sacerdotes dos países germânicos que formaram a “Aliança Europeia” que tinha por objetivo controlar e impor a visão modernista no Concílio, e Tibre, que é o rio que corta Roma, representando o Vaticano e a própria Igreja Católica.

Com um cuidado esmerado em documentar o máximo possível um evento de grandes dimensões, com quase dois mil bispos e que se realizou durante anos, o sacerdote autor, mesmo não escondendo as suas simpatias pelo movimento liberal modernista, consegue manter-se o mais próximo da neutralidade, expondo a movimentação e as opiniões de ambos os lados sem entrar no mérito dos argumentos.

O grande destaque do livro é atuação dos dois Bispos brasileiros Don Castro Mayer e Don Proença Sigoud, que juntamente com Don Lefebvre fizeram oposição, praticamente sozinhos, a onda incontrolável modernista liderada pelos bispos do norte da Europa e germânicos, que contavam com adesões de outros prelados do mundo inteiro.

O ápice da atuação de Don Proença foi a entrega ao Papa Paulo VI de um documento com mais de 400 assinaturas dos Padres conciliares pedindo a condenação do comunismo/socialismo e a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O pedido foi ignorado.

O livro mostra com todas as letras que o Concílio Vaticano II não era pra ser, não foi e nunca será, um concílio dogmático e sim, como ele sempre se auto definiu, um concílio pastoral. Esse fato por si só já merece uma atenção maior de todos os filhos da Santa Mãe Igreja, sejam eles sacerdotes, religiosos ou leigos, pois esse evento é citado, em obras e em documentos e ações, quase como sendo um “novo início de uma nova igreja”, o que é absolutamente falso. A Igreja Católica é a mesma ontem, hoje e sempre, assim como o próprio Jesus, o Cristo, que a fundou sobre os ombros de São Pedro. O Concílio, como tudo da Igreja, tem que ser avaliado e colocado sempre na perspectiva da hermenêutica da continuidade. O concílio só pode ser seguido em comunhão com todos os outros concílios e documentos da Igreja nesses dois milênios, e não como um fato gerador e moderador de tudo e todos dentro da Igreja, como muitos querem empurrar a força a todos os católicos. O tal “espírito do Concílio Vaticano II” tem sido usado para justificar, teologicamente e eclesiologicamente, todo tipo de heresias, blasfêmias e sacrilégios, o que os milhares de padres conciliares nunca quiseram, ou seja, um rompimento brutal dentro da vida católica, seja na liturgia, seja na própria maneira de viver a fé.

Para aqueles que gostariam de conhecer mais sobre o evento conciliar, que os liberais modernistas chamam de “A primavera da Igreja” e que os conservadores chamam de “A Revolução modernista na Igreja”, o livro é parada obrigatória, pois o Concílio Vaticano II é um fato histórico que tem consequências em todas as paróquias do mundo até hoje. Um testemunho de primeiríssima mão que relata passo a passo o evento mais marcante e controverso da Igreja nos últimos dois mil anos.

Olavo Mendonça.

Site da Editora Permanência.

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