Atendimento pré hospitalar tático

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Existe uma diferença enorme entre Atendimento Pré-Hospitalar Civil e o Atendimento Pré-Hospitalar Tático.

O primeiro é aquele que poderá ser desenvolvido por pessoas ou instituições capacitadas para o atendimento emergencial, que ocorre fora do ambiente hospitalar, a vítimas de trauma (acidente automobilístico, incêndios, afogamentos, desastres naturais, etc) visando à estabilização clínica e a rápida remoção para uma unidade hospitalar adequada.

O Atendimento Pré Hospitalar Tático foi desenvolvido objetivando a padronização de protocolos estabelecidos por diretrizes elaboradas inicialmente pelo Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos com o mister de treinar, adequadamente, os não médicos para lidar com as causas evitáveis de morte em conflito armado.

Foi criado pela NAEMT, instituição de caráter civil que padroniza os protocolos de atendimento as vítimas de trauma no mundo inteiro.

As diretrizes do TCCC foram criadas em 1996 e têm estado em constante evolução.

Essas diretrizes são revistas e atualizadas pela Comissão do TCCC que é composta por médicos cirurgiões, socorrista, plantonistas de unidades de combate, e médicos e enfermeiros combatentes.

Destaca-se assim a importância do atendimento a vítima de trauma em combate por Enfermeiros e Médicos de combate, socorristas combatentes e o auto socorro.

Todas as forças armadas dos EUA têm 100% da experiência implantada.

Portanto o APH TÁTICO é o que vai mantê-lo vivo por tempo suficiente até a sua chegada a um centro especializado.

A partir de então os militares que estão se preparando para serem enviados para o combate são submetidos a este treinamento.

Após a implantação do TCCC nas operações de combate alcançou-se o maior índice de sobrevivência da História.

Estatísticas de mortes em Combate (1941-2005)

– II Guerra Mundial (1939 – 1945) – 19, 1%

– Guerra do Vietnam (1959 – 1975) – 15, 8%

– Guerra do Golfo (2003)– 9, 4%

– Iraque (2003) e Afeganistão (2001-2004)– 4, 6% ( quando foi implementado o TCCC )

Os procedimentos anteriores realizados no atendimento ao ferido em combate eram os mesmos prestados às vítimas civis nas ruas dos EUA.

Salienta-se que o trauma civil e o trauma de combate são diferentes em muitos aspectos, tais como: causas, cenários, “socorristas” e tempo de evacuação.

As causas mais comuns de morte em conflito armado são hemorragias de extremidades (60%), pneumotórax (33%) e lesões de vias aéreas (6%), assim temos como prioridades no atendimento: 1) Contenção de hemorragias; 2) prevenção do pneumotórax e 3) liberação de vias aéreas.

Com base nestas informações muitas polícias do mundo, principalmente no que se refere aos grupos táticos e de operações especiais, tendem a ser impelidas a empregar essa nova técnica aderindo ao protocolo criado para o atendimento de emergência em casos de conflito armado.

O policial preparado e treinado para o Atendimento Pré-Hospitalar Tático é o elemento mais indicado para manter a sobrevida do companheiro ferido, ou até do agressor ferido, enquanto não houver segurança no local da ocorrência para que as equipes especializadas consigam acessar aquele lugar.

Seu objetivo maior é identificar e tratar os feridos com lesões evitáveis de morte e mantê-los vivos tempo suficiente para chegar ao hospital utilizando-se, somente, do equipamento médico disponível em seu “bornal tático” individual (Kit de primeiros socorros).

Deve ser levado em consideração que nem sempre as equipes de socorro (Corpos de Bombeiros ou SAMU), adentraram em quaisquer locais que promovam risco de morte a elas (“segurança da cena”).

O APH TÁTICO é dividido em três fases distintas:

1ª Fase: CARE UNDER FIRE (CUIDADO SOB FOGO)

O atendimento é prestado por um operador tático no local do evento, enquanto ele e o ferido ainda estão sob fogo hostil eficaz.

O risco de prejuízo para o combatente “socorrista” e do prejuízo adicional para os feridos anteriormente será reduzido se a atenção imediata é direcionada para a supressão do fogo hostil ou eliminação da ameaça. A guarnição precisa, portanto, inicialmente ajudar no retorno de fogo em vez de parar para cuidar do ferido.

A situação e o ferido deverão ser avaliados antes de se iniciar o resgate ou a remoção levando-se em conta o risco extraordinário ou baixa probabilidade de sucesso.

Nesta fase (Zona Quente) o ferido deverá ser removido (técnicas de remoção) para uma área coberta e abrigada (Zona Morna), onde deverá receber os primeiros cuidados efetivos.

2ª Fase: TACTICAL FIELD CARE (CUIDADO NO CAMPO TÁTICO)

A situação tática nesse momento mudará, o combatente socorrista e os feridos poderão não estar mais sob fogo hostil eficaz.

Isso permite mais tempo e um pouco mais de segurança, para executar cuidados mais especializados.
Nesse momento o fogo hostil eficaz poderá retornar.

Nesta fase (Zona Morna) o ferido receberá os primeiros cuidados efetivamente. Reavaliação e contensão das hemorragias de extremidades, pesquisar lesões encobertas pelo uniforme e, muito pouco provável mas possíveis, cuidar das lesões em vias aéreas.

3ª Fase: TACTICAL EVACUATION CARE (CUIDADOS NA EVACUAÇÃO TÁTICA)

A fase dos cuidados na evacuação tática é a fase em que os combatentes feridos são removidos do ambiente hostil com técnicas de patrulha (TACEVAC), transportados por viaturas ou carros civis que não configurados para resgate de feridos (CASEVAC) e remoção por ambulâncias ou aeronaves de resgate (MEDEVAC) que foram solicitadas durante o conflito para um local mais seguro ou especializado aonde é possível serem iniciados os tratamentos médicos mais avançados.

Apresentamos aqui algumas matérias e depoimentos:

POLICIAIS MORTOS NO RJ:

“Foram fincadas na areia 152 cruzes pretas, número que corresponde à soma dos policiais militares mortos entre 2013 e 2014, segundo dados da ONG Rio de Paz…”

Os familiares das vítimas estão fazendo um abaixo-assinado para modificar a Constituição e incluir em crime hediondo pessoas que assassinarem policiais.

“O PM tem a necessidade de ser ouvido e amparado. As condições de trabalho da Polícia Militar devem ser revistas porque a estrutura estabelecida não dá condições de atender a população”, disse Vanderlei Ribeiro (presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares).

(Fonte: GI)
Podemos somar a essas “melhores condições de trabalho” a um melhor treinamento em atendimento pré hospitalar tático?

POLICIAIS MORTOS EM SÃO PAULO:

Sem ter acesso aos números de policiais mortos das demais polícias (civis e militares e polícias federais), é possível comparar São Paulo apenas com outros países. Por estranho que isso possa parecer…

Os Estados Unidos da América (EUA) produzem estatísticas confiáveis sobre mortes de policiais de todas as polícias norte-americanas desde 1920. Assim, é possível comparar as mortes de policiais de São Paulo, em 2012, com as ocorridas nos EUA no mesmo período.

A situação de São Paulo também parece bem diferente da norte-americana se for considerado que, enquanto já morreram 80 policiais naquela única unidade federativa do Brasil, a maior cifra estadual parcial de mortes de policiais norte-americanos em 2012 corresponde, a oito policiais mortos no Texas. Em tal perspectiva, morrem dez policiais paulistas para cada policial texano também falecido.

Note-se que as 103 mortes de policiais norte-americanos em 2012 (até 28 de outubro) não são todas elas resultantes de homicídios, como parece ser o caso em São Paulo. Apenas 36 resultaram do uso de arma de fogo por criminosos, 45 ficaram por conta de acidentes de trânsito e 22 “por outras causas”. Levando isso em conta, o número de 80 mortes de policiais em São Paulo (até o mês de outubro de 2012) pode ser comparado com 36 e não com 103 (total geral dos EUA até outubro de 2012).

Disso resulta o cotejo de um policial paulista morto para cerca de 430 mil habitantes (429.814,57 mais precisamente) e um policial norte-americano para cada 7,1 milhões de habitantes (7.146.538,45).

A relação passa a ser de 17 policiais paulistas mortos (16,62 mais precisamente) para cada policial norte-americano.

(Fonte: Agência Fenapef)

O objetivo do Atendimento Pré Hospitalar Tático é identificar e tratar os feridos com lesões evitáveis de morte. Para isso, é necessário que o policial possua um bornal com o KIT específico de primeiros socorros contendo: torniquete industrializado para controlar hemorragias externas extremas, Jelcos nº 14 para procedimentos de descompressão torácica, ataduras como bandagens israelenses ou outros agentes hemostáticos de grande divulgação e utilização pelas tropas norte-americanas, gazes, cânulas orofaríngeas e nasofaríngeas para liberação das vias aéreas tornado-as pérvias, tesoura de ponta romba para remoção de parte do equipamento ou uniforme e tratamentos das lesões, fitas de extração rápidas ou lonas táticas de transporte para retirada do policial ferido da zona quente e luvas de cor negra para proteção individual sem que denuncie a posição do combatentes que prestam o primeiro atendimento também em área de risco.

O atendimento prestado pelo combatente socorrista (policial) não substitui o trabalho feito pelos Bombeiros e SAMU.
O combatente socorrista minimiza as lesões e age quando o risco de morte é iminente.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (PMERJ), a ROTAM-DF, o 27º BPM (PMDF), BPMA-DF e mais recentemente a Força Nacional de Segurança são algumas das Unidades de segurança pública que se utilizam desta técnica para o adestramento de seu efetivo tático.

Seguem alguns depoimentos de Militares de diversos estados e forças que adotaram a doutrina do APH TÁTICO nas suas equipes policiais e em seus cursos operacionais:

“O TCCC é o resultado de uma combinação perfeita de experiência vividas e estatísticas em conflitos armados onde temos como produto final o tratamento eficaz e sistemático três ferimentos mais letais em combate.”

SGT Pedro BOPE RJ

“Em ambientes naturais, onde o acesso por si só já torna-se difícil, na maioria das vezes, o combatente é o primeiro, senão o único provedor de ações de primeiros socorros naquele local. Diante disso, o APH Tático, ensinado como disciplina de base, supriu sobremaneira a deficiência da patrulha quanto aos primeiros atendimentos hospitalares, num nível até mesmo complexo. No caso do Curso de Operações Policiais no Cerrado, pudemos verificar na prática a funcionalidade desta disciplina – APH Tático.”

Major Jader PM-DF

“Disciplina de suma importância para os operadores de segurança pública que estão envolvidos diretamente com situações de extremo risco!

Necessitamos de maneira urgente, mudar a concepção dos nossos militares, adestrando e aprestando nossas tropas para atuarem como primeiros respondedores. No Brasil por meio da SENASP, iniciou em 2012 instruções para todos os operadores que atuam em áreas de fronteiras e estão sujeitos aos riscos de ferimentos em combate aliados ao terreno que operam, fatores que somados tornam impossível o atendimento pelos protocolos de APH CONVENCIONAL.

Todos os esforços são válidos para que essas mudanças na doutrina e equipamentos salvem vidas dos homens e mulheres engajados nessa missão!

Num futuro próximo todo o país falará a mesma língua, auxiliando na diminuição dos índices das mortes dos policiais tombados em combate.”

Cap QOBM RAFAEL LORENZETTO Corpo de Bombeiros/PMPR

“As tropas de choque de todo o país passaram a compor a imagem da sociedade Brasileira nos últimos anos, em razão de sua presença cotidiana na mais variadas formas de manifestações, intervenções em ambientes prisionais, grandes eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas, Pan Americano, etc.). Diante disso, uma nova linha do conhecimento passou a integrar a realidade das tropas de choque no Brasil, o Atendimento Pré-Hospitalar Tático – APH Tático. Tal demanda e adaptações se mostraram necessárias e fundamentais, ante a maior incidência de PMs feridos durante confrontos ocorridos em manifestações ou durante as contenções em grandes eventos. Desta feita, esse nicho, até então pouco explorado quando se falava em tropas de choque, passou a fazer parte das bancadas escolares militares, assim como das instruções diárias dessas tropas especializadas, a fim de garantir que os policiais de choque possam, durante suas ações e operações, ter condições de prestar um atendimento pré-hospitalar, até a chegada do atendimento especializado ou a condução da vítima a local destinado. Ademais, essas instruções não são voltadas tão somente ao atendimento de PMs envolvidos em confrontos oriundos de ações de choque, pois muitas vezes o PM em suas atividades de patrulhamento se depara com situações que demandam um atendimento prévio até a condução aos pontos de atendimento médico. Os problemas relacionados à mobilidade e trafegabilidade urbanas dos grandes centros do país cooperam para que o conhecimento desses procedimentos se torne vital para salvar vidas e/ou evitar sequelas plenamente evitáveis, em vítimas de certos tipos de traumatismo. Destarte, tanto o APH tradicional quanto o Tático são linhas do conhecimento técnico especializado que devem fazer parte do cotidiano do cidadão comum (tradicional), e indispensável ao exercício da atividade policial…”

Capitão Adriano Polícia Militar do RS (Brigada Militar)

“O atendimento pré-hospitalar à vítima no serviço militar vem passando por uma grande transformação. Para um combatente ferido em missão, a fase mais crítica do seu atendimento é o período a partir do momento da lesão até a sua chegada a uma unidade de tratamento médico cirúrgico.

Em algumas comunidades do Rio de Janeiro, por exemplo, o tempo elevado de evacuação é ritmado pela ameaça iminente do inimigo e pelo ambiente hostil. Dessa forma, um atendimento rápido e eficaz deve ser elencado para garantir a sobrevida do policial, entretanto, muita das intervenções que poderiam ser realizadas pelo policial combatente para salvar o amigo ferido se esbarram na tênue linha da legislação vs. a capacidade técnica de atuação por parte dos militares que se encontram na missão.

A especificidade do atendimento às vítimas no cenário vai depender da situação tática, dos ferimentos sofridos pela vítima, do conhecimento, habilidades técnica dos militares e dos equipamentos médicos limitados disponíveis. Para tanto, no Brasil, a exemplo dos EUA, ainda precisamos avançar numa legislação que legitime a atuação dos combates em procedimentos invasivos específicos para o resgate em ambiente hostil, onde não se pode contar com uma intervenção médico imediata em que o tempo se torna inversamente proporcional à sobrevida do policial ferido.

Na guerra urbana, o cuidado as vítimas é apenas parte da missão!”

Luciano de Assis Meireles- Capitão Enfermeiro da PMERJ

“A VIDA DO POLICIAL FERIDO DEPENDE DO PRIMEIRO ATENDIMENTO DO OUTRO POLICIAL TREINADO E CAPACITADO PARA PRESTAR-LHE O PRIMEIRO ATENDIMENTO”

A vitória sobre a morte só existe quando conseguimos evita-lá…

In Memorian do gerreiro do BOPE RJ morto em combate W. Santana.

Marcelo Santos Herculano
Sub Oficial Fuzileiro Naval (Marinha do Brasil)

Fontes: http://www.naemt.org/

http://www.naemt.org/education/TCCC/tccc.aspx

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