A importância do papel do decisor

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O Ser Humano, no exercício da complexa atividade de viver, é concitado a tomar decisões o tempo todo: podemos afirmar, com certeza, que temos contra nós uma sentença, que nos obriga a tomar decisões sempre.
Ora, se decidir faz parte da nossa vida, o esforço a ser perseguido é o da qualidade das decisões.
Estas podem ser reativas (depois do fato ou ação) ou proativas (de cunho preventivo, antecipando o fato motivador da decisão).
Toda decisão tem como resultado uma ação e prescinde de duas fases anteriores: a análise dos fatores que a envolvem e a escolha da conduta que será levada a efeito.
Considerada uma fase muito relevante, a escolha da decisão a ser tomada não pode se dar sobre opções impossíveis, mas sim levando em conta as possibilidades factíveis.
São três os requisitos de uma decisão: o nível de conhecimento do decidir, os prazos considerados para a sua execução e as informações disponíveis, que servem principalmente para enriquecer o cabedal do decisor.
O tempo é um fator determinante no processo de tomada de decisão: se inobservado no que se refere ao conceito da oportunidade, pode comprometer o alcance dos objetivos propostos.
Uma decisão deve gerar uma ação, tendo como conseqüência a transformação de uma situação atual em uma situação futura. O primeiro aspecto que decorre desta assertiva e que dá contornos ao planejamento é “qual o futuro que se almeja com a medida adotada?”.
O risco é inerente à decisão: ele sempre estará presente, em menor ou maior grau, e será o processo decisório que fará reduzir o nível da incerteza (de total para parcial), porém sem nunca excluí-lo na sua plenitude, visto que, em qualquer situação que envolva pessoas, a certeza jamais existirá.
Uma decisão sempre provocará reflexos sistêmicos: ainda que a ação se dê individual e isoladamente, sempre trará efeitos no ambiente coletivo, nos grupos sociais.
Para a construção do processo decisório é necessário considerar também a análise dos ambientes: o interno, avaliando forças e fraquezas de quem decide, e o externo, que aprecia as ameaças e oportunidades, sobre as quais o decisor não tem controle, mas que geram impactos no processo.
Michel Godet ensina “todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, está por fazer”.
O autor sustenta o conceito de prospecção, ou seja, a construção do futuro a partir do presente, em contraposição à futurologia, segundo a qual, “o passado indica uma tendência no futuro”.
A técnica de prospecção deve levar em conta a construção de cenários, que nada mais é do que a construção de um cenário possível, na explicitação dos eventos que levariam à sua concretização. Podem ser vários os cenários: exploratório, provável, desejável, etc.
Na construção dos cenários, um aspecto muito importante é a identificando do fato portador de futuro: é este um fato presente que tem grande capacidade de influenciar no futuro.
O método prospectivo deve levar em conta três etapas sequenciais: a exploração de eventos futuros, a delimitação de futuros plausíveis e a escolha de futuros desejáveis.
Desta forma estaremos delimitando as opções para a tomada de decisão, organizando a incerteza que, como dito, sempre existirá.
Neste contexto todo, o planejamento nada mais é do que a racionalização do processo de tomada de decisão, fixando o objetivo e decidindo antecipadamente sobre as ações para alcançá-lo.
Já o planejamento estratégico constitui-se em um instrumento que analisa o comportamento do sistema dentro da evolução ambiental. Tem abrangência temporal e espacial.
Genericamente, todos os modelos existentes de planejamento estratégico tem como base as seguintes fases: definição da missão, identificação das ameaças e oportunidades, avaliação das forças e fraquezas, apresentação da visão de futuro e definição da estratégia.
Para aferir se os objetivos foram alcançados com o planejamento estratégico, existem os chamados Indicadores: estatísticas ou informações que indicam o ponto em que estamos ou o que almejamos em relação aos objetivos e valores.
Um dos mais importantes indicadores é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), adotado pela ONU e pelos países que dela fazem parte, constituindo-se em uma ferramenta de avaliação do nível de desenvolvimento humano.
Ele é publicado anualmente e atualmente o Brasil ocupa a 69ª posição no ranking (com tendência de queda, considerando os anos anteriores) e leva em conta cinco critérios na sua formulação: esperança de vida, educação, Produto Interno Bruto, esperança de vida ao nascer e alfabetização de adultos.
São estes, pois, os conceitos essenciais que devem dominar aqueles que se atreverem no mundo do planejamento.
Mãos à obra decisores!
Humberto Gouvea Figueiredo
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