A Imprensa que desinforma

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 No último dia 13/7 (segunda-feira) eu assistia a uma importante discussão sobre “Maioridade Penal”, na TV Cultura e, durante um dos intervalos tive a infeliz ideia de trocar o canal para a Band, onde tive acesso a uma das mais imbecis reportagens que vi na minha vida, apresentada no Programa CQC.

Tendo como referência a onda de linchamentos que vem ocorrendo na região norte do País, atores simulavam uma cena em que uma pessoa era acusada de ter roubado o celular de outra e, por esta razão, era detida e acorrentada em um poste, passando então os atores, que disfarçavam ser “justiceiros” a estimular a agressão ao pseudo criminoso. Algum tempo depois aparecia na cena uma atriz, que simulava ser a vítima do crime, e que afirmava não ser o “detido” o autor do crime, mas sim um inocente.

Tudo tinha o propósito de ver a reação das pessoas diante daquele ato que representa a forma de praticar justiça de séculos atrás.

O cenário da filmagem foi a região central de São Paulo, local para onde convergem milhares e milhares de pessoas, em todas as 24 horas do dia.

Em um determinado momento da gravação houve certa confusão, até com tentativa de agressão contra pessoas, situação que necessitou a intervenção da Polícia Militar para manter a ordem.

Num outro episódio, uma pessoa chegou a expor uma arma, dando a entender que poderia usá-la ali naquele local, para “sentenciar o criminoso”.

Mas o que mais me intrigou na “reportagem” foi a ênfase dada pelo jornalista que a realizava em relação à violência e à ineficiência da Polícia, apontando-a como a raiz do problema.

Muito embora o número de pessoas que reprovavam a ação tenha sido muito maior e que o pedido pela entrega do criminoso à Polícia tenha sido a maioria, o repórter se esforçava ao máximo para fazer prevalecer o contrário, entrevistando as pessoas que desejavam que a violência acontecesse.

Mas o ápice do absurdo se deu quando, em dado momento e desconsiderando que a Polícia Militar tinha agido minutos antes para conter agressões, o repórter ao entrevistar um daqueles que queriam a agressão disse: “você pensa que só porque a Polícia agride o bandido você também pode agredir?”.

Nesta hora meu limite chegou ao extremo e, usando o sagrado poder que me confere o controle remoto, mudei de canal e voltei a ver o debate na TV Cultura.

Antes tivesse continuado a ver os comerciais, durante o intervalo do debate….

E não teria me irritado tanto….

Humberto Gouvêa Figueiredo.

Nota: A imagem que ilustra o artigo foi tirada da TV no momento em que uma enquete que o programa CQC promoveu, com o intuito de manipular a opinião pública contra a administração de escolas pela PM, deu com os burros n’água. O resultado da enquete foi que mais de 90% da população aprovam a transformação de escolas públicas com problemas de drogas e criminalidade em colégios militares da PM. 

Humberto Gouvêa Figueiredo.

Fonte da foto: Faca na caveira.

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