A impunidade é a mãe da reincidência

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Leia a seguir entrevista completa com o capitão Olavo Mendonça, estudioso de segurança pública e defensor da Polícia Militar:

Avenida Paraná: Nos últimos dias houve três massacres em presídios brasileiros e aqui no Paraná registramos fuga de 28 presos neste final de semana. Qual é a relação entre a crise penitenciária e a crise política?

Cap. Olavo Mendonça: A relação entre ambos os fenômenos é visceral, pois eles têm suas raízes no pântano da crise moral e religiosa causada pela revolução cultural marxista que nos devasta há mais de 40 anos. São os frutos da árvore envenenada. Essa revolução inverteu os polos das qualidades essenciais de qualquer civilização, no caso, o bom, o belo e a verdade, transformando uma parte da sociedade em materialistas cínicos, abandonando os valores universais que criaram e que sustentaram a nossa sociedade desde o descobrimento. Isso deu causa a epidemia de crimes no varejo que temos hoje, além de ter pavimentado o caminho para o nascimento e crescimento de OCRIMS (organizações de crime organizado) em escala nacional que se entranharam no governo e na sociedade em geral. Por isso que mesmo com os impostos mais altos do mundo as verbas necessárias para a polícia e para o sistema penal são insuficientes e as políticas públicas apenas ações de marketing que nunca tocam no problema principal que é a absoluta impunidade, que gera a reincidência crônica com o agravamento dos delitos.

O estágio atual revolucionário trabalha com a inversão total de valores com o objetivo de “agitar as massas” que não suportarão mais um país sem leis e com o crime fora de controle; sem as duas colunas de funcionamento mínimo que são a justiça e a segurança pública, as massas passarão a exigir qualquer nova ordem, mesmo a socialista, desde que cessem os crimes e a injustiça generalizada. Obviamente que isso é um erro, pois os países socialistas têm um governo violento e totalitário que esmaga o cidadão. A crise moral gera a podridão do meio político, que por sua vez gera o colapso da segurança pública em todos os sentidos. Esses fatores estão umbilicalmente ligados e encadeados.

 

Avenida Paraná: Há vínculo entre as Farc e as organizações criminosas que dominam as prisões brasileiras?

Cap. Olavo Mendonça: Como as autointituladas “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” controlam de maneira quase que monopolista a produção e exportação de drogas ilícitas na América do Sul, as relações desse grupo narco-guerrilheiro com as demais organizações criminosas são evidentes. Os tais “comandos” e demais facções criminosas brasileiras tiveram o mesmo berço podre, no caso o movimento revolucionário comunista dos anos 60 e 70, indo ao encontro do pensamento da “new left”, que pregava que a massa revolucionária deixou de ser o proletariado, na visão desses intelectuais de esquerda, para ser o “lumpenproletariat”, ou os vagabundos, bandidos, criminosos e membros de grupos marginais da sociedade. Isso foi uma mudança de paradigma que fez com que as lideranças revolucionárias do continente passassem a recrutar, treinar e usar toda a sorte de bandidos nas suas ações de guerrilha urbana, rural, ou de agitação. Por isso que um grupo criminoso antigo chama-se “Comando Vermelho” e o outro “Primeiro Comando da Capital”, PCC, que é a mesma sigla do Partido Comunista Cubano. Essa inter-relação criminosa avançou de maneira avassaladora nos últimos 20 anos e mantém relação direta com a explosão do consumo de drogas ilegais, em especial a maconha, que passou a não ser combatida pelo Estado e que conta com investimentos maciços em propaganda, que por sua vez terminou por criar uma subcultura criminosa e escravizar uma parte da juventude brasileira, pois o consumo de drogas no Brasil, que era relativamente pequeno nos anos 70, mudou radicalmente, sendo o Brasil hoje um dos maiores consumidores de drogas do mundo.

Avenida Paraná: De que maneira a cultura da impunidade está relacionada ao caos penitenciário?

Cap. Olavo Mendonça: A cultura da impunidade é causada por um fator que está profundamente arraigado no imaginário da criminalidade com base na sua experiência de realidade. Hoje no Brasil temos uma subcultura criminosa e um marketing de apologia ao crime, seja na mídia de massa, seja nas redes sociais ou por agentes dentro do próprio Estado, que estimulam e idolatram os crimes e os criminosos. Em um segundo momento, após o indivíduo romper a barreira do comportamento normal social e partir para o crime, ele experimenta na pele toda a inversão de valores que infestou o sistema criminal brasileiro. É a regra, e não a exceção, que esse criminoso seja preso pela polícia militar e seja solto, logo em seguida, na delegacia, na audiência de custódia ou no julgamento. Após ser solto ele volta para a rua com uma autoconfiança aumentada, se tornando a cada novo crime impune mais violento e mais audaz. Quando finalmente ele vai para o sistema penal, geralmente após ser condenado por um crime grave e pelo fato de não ser mais primário, ele se depara com presídios onde se consegue de tudo (armas, drogas, celulares, visitas íntimas, etc), agentes penitenciários acuados por falta de estrutura do Estado e pela perseguição dos órgãos de controle internos e externos com o discurso “garantista”, além dos velhos problemas de corrupção no sistema penal e no judiciário. Por isso que dentro do presídio, que não se tem controle e disciplina, sobram mais crimes, que por sua vez também ficam impunes, gerando um ciclo infernal que corrói todo o sistema. Cabe uma menção a ideologia que está sendo ensinada nos meios acadêmicos do Direito que é a criminologia crítica ou marxista, que coloca o bandido como vítima da sociedade. Esse discurso, quando chega aos ouvidos dos criminosos, soa como música, dando a eles o pretexto moral para mais crimes.

Avenida Paraná: Por que o crime comum continua sendo comandado desde os presídios?

Cap. Olavo Mendonça: Como foi descrito na resposta anterior, é um fator causado pela absoluta impunidade, inclusive dentro do presídio. Existem histórias que rodam nos meios policiais que relatam que criminosos perigosos, e que estão jurados de morte por rivais, preferem ficar presos e contar com toda a estrutura para a prática dos crimes de dentro da cadeia. Isso, pela nossa experiência, se mostra cada dia mais verdadeiro. Afinal, quem nunca recebeu ou ouviu falar dos tais golpes que presos praticam de dentro das cadeias usando telefones celulares?

Avenida Paraná: Em Londrina, temos uma onda de assaltos a residências, cada vez mais violentos. Por que esse tipo de crime é cada vez mais comum?

Cap. Olavo Mendonça: Esse tipo de crime, cada vez mais comum, é o que mais aterroriza as pessoas no Brasil, pois a residência, o lar, deve ser o asilo inviolável de cada família. Como todos os crimes no pais estão com os índices muito altos (ou simplesmente fora de controle, basta lembrar dos mais de 70 mil homicídios por ano), esse crime em particular acompanhou a tendência geral. Um fator que contribuiu para que as quadrilhas se especializassem nesse tipo de delito é, além da impunidade, a certeza quase que absoluta que em casa não haverá ninguém armado para defendê-la. Isso é o resultado direto da política de desarmamento da população civil levada a cabo pelo governo federal, e alguns estaduais, que, desobedecendo o plebiscito, retiraram milhares de armas de fogo das mãos de pessoas de bem. Os marginais, por outro lado, estão cada dia mais armados, com armas maiores e mais poderosas, enquanto que o cidadão trabalhador não pode possuir uma arma em casa para autodefesa.

Fonte: FOLHA DO PARANA.

Agradecimentos ao jornalista e escritor Paulo Briguet.

O Capitão Olavo Mendonça foi entrevistado pelo Brasil Paralelo:

Veja o primeiro episódio completo do Congresso Brasil Paralelo:

1 COMENTÁRIO

  1. Mãe da reincidência é a “me#$%#&¨” do sistema carcerário!
    Pode-se verificar que quanto melhor é o sistema, quanto a isso me refiro àqueles que seguem de fato a Lei de Execuções Penais, menor é o índice de reincidência.
    A impunidade certamente é um problema no nosso país.
    Mas prender um criminoso, piorá-lo e mandá-lo de volta às ruas, certamente não é também a melhor opção.
    Enquanto o sistema não melhorar, mais vale manter o sujeito fora das grades, do que sua qualificação para o serviço!

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