A Intentona Comunista de 1935 foi só o começo

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Homenagem aos heróis da intentona comunista

O lançamento do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, em 1848, contribuiu para expandir a ideologia comunista. Anos depois, foram criadas organizações afins nas sucessivas Internacionais Socialistas, que reuniam distintas tendências da revolução socialista mundial.
A IIIª Internacional, realizada em Moscou em 1919, ficou conhecida como a Internacional Comunista (IC). Ela criou o Comitê Internacional (Comintern), órgão do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) encarregado de disseminar a revolução socialista, criando partidos afins em diversos países. Em 1922, nasceu a Seção Brasileira da Internacional Comunista, origem do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e de sua futura dissidência, o Partido Comunista do Brasil, após a cisão em 1962.
Para se filiar à IC, a Seção aceitou as 21 condições impostas pelo Comintern. Algumas determinavam que os PC combinariam ações legais com ilegais, fariam campanhas de agitação e propaganda com foco nos exércitos, seriam partidos internacionais subordinados ao PCUS e renunciariam ao patriotismo e à paz social. Por tudo isso, e com o PCB submisso à União Soviética, o socialismo já nasceu incompatibilizado com as Forças Armadas brasileiras, instituições exclusivamente leais à nação, legalistas, patrióticas e fiadoras da paz interna.
Monumento aos heróis mortos na tentativa sangrenta de golpe de estado durante a chamada intentona comunista. O munumento fica na Praia Vermelha no Rio de Janeiro. Ao lado pode-se ler o nome das três capitais atingidas: Rio de Janeiro, Recife e Natal.
A revolução socialista faz um trabalho permanente de acumulação de forças, que culmina com tentativas de tomada do poder quando o partido revolucionário considera ter alcançado condições objetivas para tanto. Foram três tentativas frustradas e a quarta está em pleno e exitoso andamento.
A primeira foi a Intentona Comunista em 1935. O traidor Luiz Carlos Prestes liderou uma frente ampla – Aliança Nacional Libertadora (ANL) – constituída pelo PCB e setores da esquerda. O golpe foi autorizado pelo PCUS e seguiu o modelo bolchevista russo de 1917, ou seja, um golpe de Estado imediato e violento. No Manifesto Revolucionário, convocando a nação, constavam os sloganstodo o poder à ANL; e pão, terra e liberdade. Na revolução bolchevista, os slogans eram: todo o poder aos soviets; e pão, paz e terra. Coincidência?
Tentativa de golpe de estado comunista em 1935: Brasil a beira de uma guerra civil.
A segunda iniciativa se intensificou de 1961 a 1964 e usou a via pacífica preconizada pela URSS a partir de 1956. O golpe foi paulatinamente preparado por meio da infiltração em instituições e setores estratégicos, a fim de viabilizar pressões de base e de cúpula para desestabiliza-los, e por meio da subversão (agitação e propaganda), para criar o clima revolucionário e motivar a sociedade para o golpe. Em 1963, Luiz Carlos Prestes declarara que o Brasil disputava a glória de ser o segundo país do continente a implantar o socialismo e que o PCB estava no governo, mas ainda não tinha o poder.
A terceira tentativa foi preparada desde o início dos anos 1960 e se intensificou a partir de 1966. Empregou a forma violenta (linha maoísta) – luta armada prolongada – modelo fortalecido após o fracasso da via pacífica de linha soviética. A revolução socialista recebeu outro duro golpe, mas atrasou por dez anos a redemocratização almejada pela nação. A esquerda revolucionária não teve o reconhecimento de nenhuma democracia e de nenhum organismo internacional de que lutasse por democracia ou representasse parte do povo brasileiro. A redemocratização, em 1978, não foi obra da luta armada, então totalmente desmantelada, mas sim do governo militar, da oposição legal e da sociedade civil ordeira.
Porém, a revolução socialista é perene e, hoje, ela acumula forças para a quarta tentativa de conquistar o poder. Emprega a via pacífica de linha gramcista, estratégia de longo prazo que vem desde os anos 1960. O PT, substituto do PCB e do PCdoB na liderança da revolução, pretende a hegemonia sobre a sociedade para controla-la; e neutralizar o aparato de segurança do Estado, de modo a tomar o poder, destruir o Estado burguês e implantar o regime socialista. A investida sofreu um revés com a saída do PT do governo, mas ele manteve o controle de setores importantes de uma sociedade enfraquecida pela destruição de valores atiçada, há décadas, pela revolução socialista. O PT é um partido socialista, de acordo com os seus próprios documentos, e o fato de muitos de seus líderes terem sido corrompidos pela ganância de poder e riqueza não significa que ele não seja ideológico. É um partido ideológico-fisiológico.

Quartel General da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (Quartel da Salgadeira). Antes e depois dos combates.

Países com grave divisão ideológica têm altos índices de instabilidade, insegurança interna, debilidade no cenário externo e o futuro comprometido. Isso acontece, em prazos mais curtos, com nações politicamente imaturas e não desenvolvidas, cujas sociedades têm baixos níveis de educação, cultura e civismo. Da mesma forma, o paulatino enfraquecimento das potências ocidentais se explica pela crescente cisão ideológica interna e perda de valores tradicionais, cívicos e cristãos após a introdução da ideologia socialista, particularmente, com sua exitosa pregação da contracultura em suas sociedades. A queda das grandes potências é algo histórico e começa pela decadência moral. No entanto, quando uma nação alcança um alto nível de desenvolvimento e superioridade militar e científico-tecnológica a decadência se arrasta por décadas ou séculos, como foi com Roma, Reino Unido e URSS.

O Brasil tem duas forças internas destrutivas. A liderança política fisiológica, não discutida nesse artigo, e a da revolução socialista permanente, ambas incompetentes para governar, corruptoras, corrompidas e aliadas de 2003 a 2016. A permanência da primeira ou a volta da segunda ao poder comprometerão a paz social, a unidade política, a grandeza moral e o futuro do Brasil.
General do Exército Brasileiro Rocha Paiva.

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