O diabo veste farda?

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O DIABO VESTE FARDA?
O DIABO VESTE FARDA?

O assassinato covarde da vereadora Marcielle Franco trouxe à tona um dos piores efeitos colaterais que o crime pode causar: o uso da tragédia como palanque para disseminação de discursos políticos. Ignorando a realidade carioca, onde execuções e tiroteios tornaram-se parte do cartão-postal, e mesmo com a cidade dominada por diversas facções criminosas, parece que a única opção razoável é culpar os diabólicos policiais militares. Liderados por monstros insensíveis que discursam sobre o cadáver insepulto da líder de esquerda, a multidão hipnotizada clama pelo fim da última barreira de contenção da barbárie, a Polícia Militar.

Não é de hoje que as “comunidades” na cidade do Rio de Janeiro encontram-se debaixo do julgo criminoso do tráfico de drogas. Abandonadas pelo estado as favelas transformaram-se no meio de cultura para o desenvolvimento de uma grave doença social, o crime organizado. Ao converterem vielas, ruas e becos nas prateleiras para o varejo das drogas as facções cariocas tomaram do estado largas faixas territoriais, submetendo a população à tirania do crime. Nos locais onde estabelecem seu governo códigos próprios determinam que tipo de conduta será punida e como isso ocorrerá. Os julgamentos ocorrem a céu aberto e as penas podem ser aplicadas das formas mais criativas e covardes: desde o famoso micro-ondas, onde a vítima é presa no centro de uma pilha de pneus embebidos em gasolina e depois queimado vivo até as execuções à traição, como ocorreu com a vereadora. Ainda assim, a lógica dos aproveitadores, longe de se emparelhar a realidade objetiva, busca a adequação à agenda política e subverte as probabilidades sugerindo explicitamente a culpa da Polícia Militar. Preste atenção: não tratam de elementos desviantes ou corrompidos, os gritos de guerra e as convocações das lideranças clamam contra a instituição. Sob as bênçãos melodiosas dos mais “engajados” artistas da MPB. Foi comum acompanhar nos noticiários a multidão cantando enfurecida:

“Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!

O contrassenso dessas ações de mobilização popular é justamente o ataque a única força pública com os meios de ação necessários ao combate efetivo às organizações criminosas. Movidas por questões ideológicas e políticas lideranças, artistas e oportunistas colocam em lados opostos a população e a polícia, como se fossem grupos completamente heterogêneos, frutos de sociedades independentes. A verdade é que os policiais militares, apesar das acusações, são moradores da mesma cidade, vítimas do mesmo cenário violento. Exercem a profissão de forma anônima como pré-requisito de sobrevivência. Entre os criminosos o assassinato de policiais é uma forma de reconhecimento profissional, sendo uma conduta estimulada com premiações em dinheiro ou mesmo com promoções na hierarquia do crime.

Só este ano 28 policiais foram mortos no Rio de Janeiro. As taxas de baixas nas fileiras da polícia militar são absurdas, chegando a 40% do efetivo, contando feridos e mortos. De acordo com estudo da polícia militar carioca é mais seguro ter servido como soldado, no exército americano, em qualquer guerra do século XX do que estar nas fileiras da corporação nos últimos 23 anos. Para um comparativo na Inglaterra, nos últimos 100 anos, o número de policiais mortos em ação não alcança 200. O comparativo coloca em uma perspectiva real a chacina de policiais que está em curso no país, sem a interferência de opiniões ou análises ideológicas.

Ao usar a morte da vereadora Marielle Franco como combustível para agitação das massas, as forças políticas “progressistas” transformam a polícia militar em no espantalho perfeito. Esquecendo das verdadeiras forças criminosas, formadas por pelas vítimas de uma sociedade injusta e opressiva. Querem imputar aos policiais a responsabilidade pelo total descontrole da sociedade, sobretudo nas questões de segurança pública.

Pouco importa as centenas de profissionais mortos em ação, na defesa da sociedade, nos últimos anos no Rio de Janeiro. É irrelevante se facções criminosas mantém sob sítio e lei marcial milhares de moradores nas comunidades cariocas. Parece que a eterna tensão social e o estado de penúria a que estão submetidos os cidadãos são elementos necessários à validação do discurso ideológico. O enfraquecimento da polícia, ou sua extinção, o garantidor de que nada vai mudar, mantendo acesa a tocha ilumina as mentes e corações dos intelectuais da esquerda caviar. Até porque estão protegidos em condomínios de luxo, carros blindados e/ou escoltados por seguranças armados. Para eles criminosos são ingênuas vítimas da sociedade, exaltados como estandartes da revolução social. O caixão de companheiros de luta um palanque, sem empatia pela família ou amigos. Nesse cenário o inimigo é o protetor e o assassinato de reputações não perdoa nem os mártires. E para direcionar o rancor é a mágoa da sociedade gritam marcando o alvo:

O diabo veste farda!

 

Publicado originalmente no Portal Extrapauta – link – O DIABO VESTE FARDA?

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