Qual o limite da irresponsabilidade nas redes sociais?

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Muito emocionado e ainda abalado morte em um único dia (12/7) de 3 policiais militares, eu estava buscando informações na internet quando me deparei com uma postagem na rede social Facebook, de uma pessoa que sequer merece que eu diga o seu nome, que se manifestava a respeito da covarde morte do 3º Sgt PM Edevilson Donizete Máximo, que servia no 47º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, na zona norte de São Paulo, e que era residente na cidade de Piracicaba, onde trabalhou a maior parte da sua carreira.

Tal sujeito assim se posicionou acerca do homicídio: “O Comandante desse policial ajudou a puxar o gatilho da arma que o matou. Essa é a verdade”.

Antes de emitir a minha opinião sobre a infeliz manifestação acima, imaginando que possa haver quem não sabe do que se trata, gostaria de brevemente explicar as circunstâncias da morte do Sargento Máximo: ele saiu de serviço e se dirigia à Base da Polícia Militar Rodoviária no início da rodovia dos Bandeirantes, pilotando a sua motocicleta para, de lá seguir para Piracicaba.

O Sargento Máximo em seu itinerário acabou sendo abordado por dois motociclistas, um deles com um garupa, que anunciaram o roubo de sua motocicleta. Provavelmente em função de haver sido identificado como policial militar pelo fato de estar usando a calça do uniforme, os criminosos, sem lhe dar nenhuma chance de defesa, o assassinaram.

Um episódio muito triste, porém não isolado: não foi a primeira vez que assistimos policiais militares serem mortos pelo simples fato de haverem sido identificados como tal.

Gostaria de não dizer isto, mas infelizmente também creio que não seja esta a última.

Muito embora a Polícia Militar, por diversos meios, oriente os seus integrantes a adotarem medidas de cautelas com a sua segurança, estando de serviço ou de folga, e com a de sua família, é impossível estabelecer controle sobre todas as situações e, episódios como o que ocorreu com o Sargento Máximo (e que acontecem outras tantas vezes com muitas pessoas), acontecem e continuarão a acontecer.

Agora dizer que o Comandante do Sargento é cúmplice no seu homicídio é, no mínimo, insano: usar sua conta pessoal e a da Associação que representa para acusar alguém pela prática de um crime tão grave não é aceitável e não pode ficar impune.

Sou comandante há mais de 27 anos, desde que me formei na Academia de Polícia Militar do Barro Branco: no início, como Tenente, comandando um número menor de policiais militares e hoje, como Coronel, dirigindo mais de 3.000 policiais militares.

Neste tempo todo, infelizmente já assisti muitos policiais militares cumprirem o juramento de sacrificar a sua vida na defesa da sociedade.

No comando em que estou atualmente, o CPI-9 (região de Piracicaba), já vi serem sepultados 2 importantes colaboradores.

Mas jamais ajudei a puxar o gatilho das armas que mataram meus homens!

Melhor seria ficar de boca calada quem tem pouco a acrescentar na solução deste grave problema que enfrentamos, ao invés de aproveitar-se do luto para se promover como “Salvador da Pátria”.

Humberto Gouvêa Figueiredo.

Fonte da foto: A2ad.

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