Temos que repensar a comunicação de fatos policiais

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Já há algum tempo tenho me manifestado a respeito da importância da comunicação no contexto da segurança pública, entendendo que seu uso adequado pode ser relevante para se alcançar o que se chama de sensação de segurança, que nada mais é do que uma percepção, um valor intangível, que indica um sentimento pessoal ou coletivo de tranquilidade, salubridade e paz pública.

Sempre me causou inquietação a forma como a imprensa tradicional e as modernas mídias sociais exploram os temas policiais, dando maior ênfase aos aspectos negativos na formulação da notícia, mesmo naquelas situações em que a Polícia tem êxito na prisão de infratores da lei: sempre fica ideia, de forma objetiva ou subliminar, de que o caos impera, de que a insegurança é absoluta.

A imprensa tem interesse, como regra, nos casos de insucesso da estrutura policial, aquelas situações em que o crime, o acidente ou a catástrofe ocorrem, passando a impressão de que a Polícia falhou: são estas, normalmente, as principais manchetes dos jornais ou as notícias mais destacadas.

O papel de agente protetor do policial, particularmente do policial militar, que é quem é mais visivelmente reconhecido, em função da característica da ostensividade de sua atividade, pouco interesse gera aos meios de comunicação.

De outro lado, fazendo uma espécie de mea culpa, nota-se que muitas vezes o próprio policial e a Instituição de uma forma geral, não se preocupa em vincular ações da Polícia a imagens positivas, a cenas que indicam aquela que é a mais nobre missão dos agentes encarregados da aplicação da lei: PROTEGER AS PESSOAS.

Quantas vezes não assistimos drogas e armas sendo apresentadas para serem filmadas e fotografadas nos capôs de viaturas, ao lado de braçais de policias ou cartazes com figuras relacionadas com a Polícia, ou ainda, criminosos violentos algemados, tendo ao fundo painéis com logomarcas da Instituição? Quantas vezes não vimos nomes de Unidades ou de Serviços e Atividades da Polícia sendo escritos com invólucros da droga apreendida?

Isto sempre me incomodou: sempre refleti sobre a importância de ser feita uma pesquisa de opinião para saber da sociedade se a imagem ou vídeo apresentado com o formato acima traria maior ou menor sensação de segurança. Eu nunca tive dúvidas de que não traz, mas a pesquisa daria ar de ciência a este fato e poderia comprovar.

Mas, dias atrás, conversando com uma oficial da Polícia Militar que atua na área de comunicação, tive o despertar que procurava para sanar a minha dúvida: ela me deu o exemplo dos comerciais de inseticidas, explicando-me que neles jamais é mostrada a cena do inseto morrendo ou agonizando, mas sim a figura da criança feliz e amada, protegida pela Mãe, que usou o veneno para não apenas extinguir os insetos, mas principalmente para proteger seu filho.

Este, para, deve ser o referencial para a comunicação dos assuntos da Polícia, de forma muito especial por aqueles produzidos dentro das Instituições: independente de uma ação de combate ao crime, de aplicação da lei ou de restabelecimento da ordem pública, a cena que deve ilustrar a notícia deve ser sempre a de um policial realizando uma ação de proteção, pois esta deve ser concebida como a mais importante das atividades da Polícia.

Este repensar na comunicação é urgente, necessário e imprescindível para que a Polícia tenha no Brasil o mesmo respeito e credibilidade que possui nos países mais desenvolvidos.

É uma atitude individual, de cada policial ao falar ou escrever sobre o que faz enquanto agente encarregado da aplicação da lei, e institucional, ao ser utilizada como padrão no sistema de comunicação social da Polícia.

Humberto Gouvêa Figueiredo.

Fonte da foto: Extra Rio.

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