Índios invadem Palácio do Planalto

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O grupo de cerca de 400 índios, que invadiu a área externa do Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira (18), deixou o local gritando e correndo, depois de quase quatro horas de protesto.

Lideranças indígenas explicaram que, como não estavam preparados para passar a noite acampados na porta da sede do Executivo federal, decidiram voltar para o alojamento e retornar nesta sexta-feira (19), Dia do Índio, para continuar o protesto.

O Planalto deve reforçar a segurança, que foi pega de surpresa quando os índios invadiram a área externa por volta das 17h aos gritos de “Dilma assassina”.

Representantes de diferentes etnias, os índios insistem em marcar uma audiência com a presidente Dilma Rousseff, que embarcou para Lima, no Peru, bem na hora em que eles entraram no Planalto com apitos, cachimbos, tambores e chocalhos.

 

Representantes de diferentes etnias tentaram invadir o Palácio do Planalto e cobraram audiência com a presidente Dilma Leia mais
“Não vamos invadir o palácio, mas só saímos daqui depois que nos passarem data e hora do encontro com a presidente. Ela já está no terceiro ano de mandato e nunca nos recebeu”, disse Neguinho Trucá, de Pernambuco, afirmando que já se encontraram com 12 ministros que apenas prometem mas nunca marcam o encontro com Dilma.

Os índios querem entregar nas mãos da presidente lista de reivindicações.

O governo ofereceu aos manifestantes uma reunião com os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) para elaborarem uma pauta de pleitos e, em seguida, marcar um encontro com Dilma. O grupo rejeitou a proposta.

Eles cantaram, dançaram e deram a volta na área externa do Palácio do Planalto. Chegaram a acuar os seguranças, fazendo com que o governo reforçasse a presença de homens da Polícia Militar e do Exército em todas as portarias, em especial a da entrada principal onde os índios estão concentrados.

Alguns seguranças, responsáveis por selecionar uma comissão para negociar, tiveram o rosto pintado com urucum.

São os mesmos índios que invadiram o plenário da Câmara na última terça-feira. Eles protestam pela revisão e demarcação de terras. Para justificar os gritos de “Dilma assassina”, afirmaram que o governo promove um verdadeiro “genocídio” de grupos indígenas ao construir barragens e usinas hidrelétricas.

Também são contra a PEC 215/00, que transferia o poder de homologar as terras indígenas para o Congresso.

Para assessores da Presidência, o grupo não tem uma pauta definida, o que dificulta a negociação. Até o início da noite de ontem, havia disposição por parte do governo de deixar os protestantes dormirem na área externa do Palácio do Planalto.

O grupo, contudo, preferiu passar a noite num alojamento e retomar o protesto nesta sexta.

Escalado para falar com índios, Paulo Maldos, secretário articulação social da Presidência da República, disse que várias das lideranças já estiveram com a presidente durante eventos do governo.

Maldos assegurou ainda que o pedido de audiência com Dilma já foi encaminhado mas que cabe a ela definir a data. “Não entendo bem porque essa negativa [de não negociar com ministros] tão radical”.

FERNANDA ODILLA

Fonte: Folha de São Paulo.

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