O católico e as eleições

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“Os filhos desse século são mais hábeis que os filhos da luz.”

No ano passado, caros católicos, fiz a explicação dessa parábola de que fala Nosso Senhor no Santo Evangelho desse 8º Domingo depois de Pentecostes. Hoje, gostaria de tratar de um tema importante para nós, nossas famílias, nossa religião, nossa pátria. Gostaria de falar das eleições que em breve ocorrerão em nosso país. Vejamos qual é a melhor conduta diante da realidade que se apresenta diante de nós nessas eleições.

Antes de tudo, gostaria de relembrar um ponto do 4º mandamento da lei de Deus. O quarto mandamento nos manda honrar pai e mãe. Já tivemos oportunidade de falar que esse mandamento não se resume, porém, às nossas obrigações para com nossos progenitores, mas se estende também a outras autoridades, civis e eclesiásticas, e se estende igualmente à nossa pátria.

Entre as obrigações para com a pátria, está a obrigação de votar para eleger bons candidatos. Essa obrigação pode ser leve ou grave dependendo das circunstâncias. Ela vai ser mais grave quanto mais dependerem das eleições os interesses religiosos, morais e sociais da nação e quanto mais incerta for a eleição. É preciso ter presente que os legisladores e os governantes podem produzir um grande bem ou um grande mal à Igreja, ao clero, à família cristã e à família em geral, à moralidade pública, etc. Nós temos visto o grande mal que nos faz o governo atual no plano da família, da moralidade pública, da religião católica, ao facilitar o acesso ao aborto, ao legalizar uniões homossexuais, ao tornar obrigatória a educação sexual para as crianças, ao querer impor a ideologia do gênero nas escolas, etc Portanto, é um dever importante eleger bons candidatos. Todo católico sincero deve dar o próprio voto aos candidatos que oferecem garantias verdadeiramente suficientes para a tutela dos direitos de Deus e das almas, para o verdadeiro bem dos indivíduos, das famílias e da sociedade, segundo a lei de Deus e a moral cristã. Por outro lado, votar em um candidato indigno é, a princípio, ilícito.

Todavia, surge uma dificuldade em nossos tempos. Nas supostas democracias em que vivemos, e nesse sistema moderno corrompido desde a sua raiz – pois nega os direitos de Deus e de sua verdadeira Igreja desde o princípio – devemos votar entre dois, três, quatro candidatos, que não escolhemos, mas que nos são impostos. Habitualmente, esses candidatos têm, em linhas gerais, os mesmos objetivos, que são, no fundo, descoroar Nosso Senhor Jesus Cristo, estabelecer uma sociedade completamente alheia aos mandamentos de Deus, completamente alheia à Igreja. Uma sociedade hostil à família cristã. Ou, olhando pelo outro lado, o objetivo deles é estabelecer a cultura de morte, isto é, uma cultura, com leis e facilidades, que nos afastam de Deus, nos levando ao pecado e às maiores abominações, tal como o aborto, a eutanásia, a união homossexual. Diante dessa realidade em que todos os candidatos são indignos, nos surge, então, a dúvida: se podemos votar em um deles ou se devemos nos abster. A resposta dos teólogos moralistas diz que é lícito escolher um candidato ruim para evitar o pior. Para poder votar em um candidato indigno, quando não temos a opção de votar em um bom candidato, devemos ter um fim honesto e uma gravíssima causa para votar nesse candidato indigno. Devemos ter um fim honesto, isto é, podemos votar em um candidato indigno, ruim, mas não porque ele é ruim, nem desejando que ele aplique coisas ruins, mas dando-lhe um mandato para que ele possa fazer o que é sua obrigação como governante ou legislador: legislar ou governar conforme as leis de Deus. Além disso, devemos ter uma causa gravíssima para eleger um candidato indigno. Uma dessas causas gravíssimas é justamente impedir a eleição do pior candidato. Nesse caso, é preciso deixar claro que votamos unicamente para excluir o candidato mais indigno e não porque aprovamos o outro. Com essas ressalvas, isto é, com um fim honesto e para impedir a eleição do pior, o católico pode votar no menos pior. Não há unanimidade entre os teólogos se existe obrigação de votar no menos pior nesse caso. Parece, todavia, que convém votar no menos pior, pois, embora o objetivo seja o mesmo, o ritmo de implantação da cultura de morte é mais lento, permitindo, talvez, a organização de uma melhor resistência. A abstenção dos bons ou a anulação do voto pelos bons, desiludidos, pode determinar a eleição do pior dos candidatos, o que não é, evidentemente, bom. Claro, falamos tudo isso considerando que não há fraudes nas eleições.

Concretamente, caros católicos, não se pode em consciência votar no partido que atualmente governa o Brasil nem em outros mais à esquerda, no nome ou na prática. Se nenhum candidato é bom, convém mais escolher o candidato menos pior do que se abster ou anular o voto. Assim parece pensar a maior parte dos teólogos moralistas. O governo atual tem demonstrado uma grande hostilidade à lei de Deus e da Igreja: tenta de todas as formas impor a cultura de morte, e tem conseguido, muitas vezes de maneira sorrateira, ampliar o aborto, legalizar as uniões homossexuais, impor a ideologia do gênero, a eutanásia e outros crimes semelhantes, que ofendem de modo gravíssimo a Deus e destroem a sociedade na sua raiz.

A política não diz respeito diretamente à Igreja, a não ser quando a política começa a tocar no bem das almas, no bem comum da sociedade (de maneira mais grave) e no bem da Igreja, o que é o caso. E quando isso ocorre, os pastores precisam orientar as ovelhas e denunciar o lobo.

Não podemos nos esquecer, caros católicos, de que entre nossos deveres para com a nossa pátria está também o de rezar por ela, em particular nesse ano eleitoral. Rezemos a Nossa Senhora Aparecida para que ela afaste do Brasil o comunismo, o socialismo, o liberalismo e traga ao Brasil o cetro doce e suave de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: MissaTridentina em Brasília.org

 

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