O Sacerdócio, o Bom Pastor

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“Eu sou o bom pastor, e conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem.”

Tivemos a graça, recentemente, de reviver, durante a Semana Santa, a obra da redenção realizada pro NSJC. Essa obra admirável que nos permite a santidade, que nos permite chegar ao céu. Todavia, nosso Salvador não quis que a obra da redenção se limitasse aos seus contemporâneos. Ele quis, claro, que os frutos da redenção se aplicassem até o fim dos tempos. Para que sua obra fosse continuada ao longo dos séculos, NS institui o sacerdócio. O sacerdócio católico. O sacerdote, o padre, foi instituído por Cristo para continuar a obra dEle ao longo dos séculos. O Padre é propriamente um outro Cristo, alter Christus. Quando o padre é ordenado pelo bispo, sua alma é marcada para sempre com o caráter sacerdotal, uma marca espiritual que não pode jamais ser apagada. Pela ordenação, o sacerdote participa do sacerdócio de Nosso Senhor. Pelo batismo, o cristão se distingue do não cristão. Pela crisma, o simples batizado se torna soldado de Cristo. Pelo sacramento da ordem, o homem participa do sacerdócio de Jesus Cristo, se torna sacerdote do altíssimo, ele pode administrar as coisas sagradas, aplicar os frutos da redenção.

O sacerdote é, então, um homem oficialmente constituído para ser o mediador entre Deus e os homens, para oferecer as orações oficiais a Deus, e para oferecer o sacrifício a Deus em nome da sociedade. O sacerdote, como nos diz São Paulo, é um homem escolhido (por Deus) dentre os homens, e estabelecido para os homens para tratar das coisas que dizem respeito a Deus. Assim, o sacerdote não tem por função tratar das coisas humanas e transitórias, por mais importantes que pareçam ser, mas tem por função tratar das coisas divinas e eternas. Entre elas, a primeira função do sacerdote é cultuar devidamente a Deus em nome da sociedade. Portanto, a primeira função do sacerdote é oferecer o sacrifício a Deus. O sacrifício é o ato de culto mais perfeito que se pode prestar a Deus. E o único sacrifício agradável a Deus, depois da vinda e morte de Cristo, é a Missa, que renova o sacrifício de Cristo na Cruz. O primeiro dever do sacerdote é a Missa, é o sacrifício. O Padre é, em primeiro lugar, o homem do sacrifício, é o homem da Missa, pela qual Deus é perfeitamente adorado, pela qual podemos agradecer a Deus devidamente por todos os seus benefícios. Missa pela qual podemos pedir com toda confiança o perdão de nossos pecados e as graças de que precisamos para a nossa salvação. Tanto o padre é o homem da Missa e da Eucaristia que o sacerdócio foi instituído no mesmo momento em que a Missa e a Eucaristia, na Última Ceia.

O sacerdote é, primeiramente, o homem da Missa. Mas ele é também o homem que oferece a Deus as orações em nome da Igreja, pela recitação do Breviário. No Breviário Tradicional, Tridentino, a cada semana o Padre reza os 150 Salmos e hinos e outras orações como representante oficial da Igreja.

Como dissemos, o sacerdote é mediador. Ele oferece o sacrifício a Deus e dirige as orações dos homens até Deus. O sacerdote apresenta diante de Deus as súplicas dos homens e as honras que os homens prestam a Deus. Mas o sacerdote é mediador também no sentido inverso: o sacerdote traz aos homens as graças de Deus, sobretudo pelos sacramentos, mas também pela transmissão fiel dos ensinamentos de NSJC. Ele foi instituído para o bem dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus. O sacerdote deve santificar as almas, deve levá-las até Deus, pelos sacramentos, pela pregação da verdade. O sacerdote, em todas as suas ações, deve ter em vista, a salvação das pessoas. É assim que o sacerdote dá a sua vida pelas ovelhas, se Deus não lhe permitir o martírio. Nisso, está a vida do sacerdote, do bom pastor: prestar o culto devido a Deus e santificar as almas. E como são necessários sacerdotes que realmente se preocupem com essas coisas. Deus quis utilizar-se dos sacerdotes para perpetuar o seu sacerdócio, para perpetuar a obra da redenção. Quando não há sacerdotes, ou quando não há sacerdotes realmente conscientes de seus deveres, o mundo vai se afogando nas trevas do pecado. O sacerdote não foi feito tal para agradar ao povo, nem esgotar seu tempo em reuniões sem fim. O sacerdote tampouco é um funcionário. O sacerdote não é um mercenário, mas um bom pastor, que conhece as suas ovelhas e que vai em busca da salvação delas. O sacerdote é o mediador entre Deus e os homens. Ele foi feito para cultuar a Deus e salvar as almas. E, para isso, o sacerdote renuncia até mesmo a formar uma família, para poder dedicar-se inteiramente a Deus e às almas, sem divisão com outros amores.

Então, o sacerdócio é constituído para os homens naquelas coisas que dizem respeito a Deus. Mas o sacerdote é escolhido dentre os homens. Os sacerdotes não são anjos enviados por Deus. Eles são escolhidos dentre os homens. Eles são fruto de boas famílias católicas, muitas vezes. Outras vezes, são fruto de uma conversão. O fato é que eles são escolhidos dentre os homens. É preciso, então, que os jovens, que levam uma vida católica séria, considerem o sacerdócio. Que considerem a dignidade do sacerdócio, que considerem a necessidade do sacerdócio, para se cultuar devidamente a Deus e para o bem das almas. Nós precisamos de padres. O mundo precisa de padres. Mesmo um padre precisa de outro padre, para confessar-se, para receber a extrema-unção. Deus quis servir-se dos sacerdotes para perpetuar a obra da salvação. Nós precisamos de padres.

É enorme a messe, mas os operários são poucos. É enorme o rebanho, mas são poucos os pastores. Quantas coisas a fazer pelas almas, pelas ovelhas, nesse mundo, que, praticamente, respira o pecado. Mas são poucos os operários, são poucos os pastores. São poucos os jovens católicos sérios que consideram a possibilidade de se tornarem padres. São poucos os que consideram a necessidade do sacerdócio para restaurar tudo em Cristo. São poucos os que consideram a dignidade do sacerdócio. São poucos os que consideram o tanto que um sacerdote pode fazer pela glória de Deus e pela salvação das almas. E quantos que começam a pensar no sacerdócio abandonam rapidamente a idéia, por medo, por vergonha, ou às vezes iludidos de que são necessários como leigos para isso ou para aquilo, dando inúmeras desculpas que não são realmente sérias. Os operários são poucos. A messe é grande. São inúmeras as ovelhas sem pastor. Deus quis servir-se dos sacerdotes. E o mundo precisa dos sacerdotes. Sem eles, os homens se tornam semelhantes a animais brutos, como nos diz o Santo Cura d’Ars.

Nesse Domingo do Bom Pastor, peçamos a Deus, que nos envie bons pastores, que nos envie sacerdotes. E rezemos por aqueles que já são pastores, para que sejam bons pastores e não mercenários.

Padre Daniel Pinheiro.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília.

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