Os Reis Magos e suas lições para nós

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Antes de considerarmos os exemplos dos Reis Magos, é bom ter bem presente quem eram os reis magos. Como já dissemos, mago, no oriente antigo, significa a mesma coisa que sábio na Roma Antiga, filósofo na Grécia, ou escriba em Israel. Portanto, os Magos não eram astrólogos, nem adivinhadores, nem feiticeiros. A graça de serem os primeiros gentios a adorarem Cristo não poderia ser dada a adoradores do demônio, como o são os astrólogos, os adivinhadores, os feiticeiros. E era comum, naquela época, que os sábios fossem também governantes, ao menos de uma parcela do povo. Por isso, são chamados de Reis Magos. Os magos eram, então, sábios, que praticavam a lei natural e cultivavam as ciências, em particular a astronomia. Sabiam, então, auxiliados pela graça, que a estrela que surgiu era a estrela do Messias, como eles mesmos dizem: “vimos sua estrela no Oriente”. Os Reis Magos sabiam que não se tratava de um fenômeno natural, mas de uma estrela milagrosa, a estrela anunciada pela profecia. Os pastores judeus, que praticavam a verdadeira religião, são levados ao Menino Jesus pelo anjo. Os Reis Magos, ainda pagãos, são levados até Ele por um milagre.

Os Reis Magos estavam provavelmente contemplando o céu quando apareceu a estrela milagrosa. Por esse fato, se nos mostra que Deus favorece aos que buscam as coisas do alto, que têm o seu pensamento elevado para as verdades eternas e para a vida eterna.

Em seguida, os Magos dizem que viram a estrela e que vieram. Viram e vieram. Vidimus et venimus. Vimos e viemos. Com grande prontidão. Não duvidaram um momento em deixar tudo para seguir a estrela de Belém. Não duvidaram em deixar tudo para vir adorar o Menino Deus. Grande prontidão em seguir a vontade de Deus.

Prontidão e confiança também. Confiança porque não conheciam o caminho por onde estavam indo. Apenas seguiam aquela estrela, confiados de que Deus só poderia lhes conduzir ao bem, ainda que com certas provações durante o percurso. Uma grande confiança tinham então os magos na providência divina, simbolizada naquela estrela. Prontidão, confiança e paciência para suportar a longa jornada e as moléstias do caminho. Tiveram paciência para suportar tudo isso porque sabiam o valor do que iriam encontrar no final.

Os Reis Magos fizeram também prova de constância e perseverança. A maior provação que tiveram foi sem dúvida o desaparecimento da estrela em Jerusalém. Poderiam ter desistido, ou se desesperado. Depois de tão longo percurso, desaparece a estrela. Todavia, certos de que Deus os tinha trazido até ali, buscam se instruir com os representantes legítimos da verdadeira religião. Eis, então, que baseados nas profecias de Miquéias, os príncipes dos sacerdotes e os escribas indicam aos Reis Magos o local do nascimento do Messias: Belém de Judá. Depois de provarem a constância, a perseverança e a fidelidade a Deus, a estrela reaparece. Em um momento ou outro de nossas vidas pode ser que algo semelhante ocorra. Pode ser que nos pareça que a providência nos abandonou. Ela nunca o fará. Mesmo nesses momentos devemos continuar perseverantes no bem.

Eles deram, também prova de fortaleza, pois não temeram a crueldade do rei Herodes, sempre pronto a trucidar cruelmente quem colocasse em cheque o seu reinado. Sem medo, os reis magos perguntam a Herodes onde está o Rei dos Judeus que nasceu. Para chegar até Cristo, não devemos temer os poderes da terra.

Finalmente, o Reis Magos entregam os presentes que traziam a Nossa Senhora. Traziam presentes porque não se podia visitar um Rei sem lhe oferecer nada. Gaspar, Melquior e Baltazar traziam ouro, incenso e mirra. Ouro porque Cristo é verdadeiramente Rei. Incenso porque ele é verdadeiramente Deus. Mirra porque o Menino é também verdadeiramente homem e conhecerá a morte para nos salvar. A Mirra era perfume usado para embalsamar os corpos. O Reis Magos entregaram, assim, os presentes a Nossa Senhora, certamente, já que o Menino Jesus não poderia recebê-los. Aquilo que eles trazem para Jesus, eles confiam a Nossa Senhora.

Devemos imitar o exemplo dos Reis Magos, caros católicos: voltados para as coisas do céu, com prontidão para seguir a vontade de Deus em todas as coisas, confiados na sua providência, com paciência, constância e perseverança face às cruzes e provações. Devemos ser fortes na fé e na caridade. Devemos professar a divindade e a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo e buscá-lo sempre. Finalmente, devemos confiar a Maria o que de bom temos a oferecer a Jesus: nossas orações, nossas boas obras, nossas cruzes carregadas com paciência… Coloquemos tudo nas mãos de Maria. Ela saberá dispor desses bens, como dispôs bem dos presentes trazidos pelos magos.

Padre Daniel Pinheiro.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília.

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