PECADO E GRAÇA

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10 de outubro de 2010

Romanos 6: 15 – 18 Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. 16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? 17 Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. 18 E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.

O desenvolvimento do cristianismo evangélico no Brasil tem apresentado características bastante peculiares, para não se dizer temerárias. Se de um lado temos acompanhado um crescimento acelerado do número de fieis, denominações e de congregações, de outro, acompanhamos um acelerado barateamento dos valores éticos e espirituais. Parece que o importante é encher os templos de pessoas e engordar os gazofilácios com ofertas. Dos púlpitos é comum ouvirmos sobre a prosperidade daqueles que ofertam e da graça infinita de Deus, mas, pouco se fala sobre arrependimento, mudança de vida, santificação ou caridade. Não se fala em negar-se a si mesmo, mas em aceitar-se. O conceito de tomar a cruz vem se cristalizando, no meio evangélico, como a arte de suportar contrariedades cotidianas.

Com uma teologia focada na satisfação dos desejos individuais ás igrejas tem produzido um rebanho grande, gordo e preguiçoso. Um ponto fundamental no crescimento deste tipo rebanho é a completa ignorância sobre a importância de nos mantermos longe do pecado, separados, ou seja, santificados. Não podemos adotar os padrões desta geração perversa, não cabe contaminarmos o corpo de Cristo.

Romanos 12:2 – E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

1 Pedro 1:14-16 Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 15 Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; 16 Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.

A marca que o cristão carrega é um caráter renovado, ele é reconhecido por seus atos, sua boca fala do que está cheio o coração. As boas novas brotam de seu cotidiano e suas palavras fluem como reflexo da vida diária na presença do Espírito Santo. Não podemos reduzir a vida cristã ao mero cumprimento de uma agenda religiosa semanal, muito menos á um comportamento estereotipado. A marca é revelada pela mudança de comportamento, pelo abandono do pecado.

Efésios 4: 23 – 32 E vos renoveis no espírito da vossa mente; 24 E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. 25 Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. 26 Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. 27 Não deis lugar ao diabo. 28 Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. 30 E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. 31 Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, 32 Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Durante toda a história da igreja os verdadeiros cristãos sempre foram perseguidos, muitas vezes pela estrutura humana denominada igreja. E sempre porque se recusavam a abrir mão dos princípios de Deus. Ninguém deve se tornar Cristão porque precisa ser feliz ou porque Jesus vai resolver seus problemas. Precisamos nos render a Cristo pelo reconhecimento de nossa condição de pecador, quando nos conscientizamos de nossa total separação do Criador, nossa conversão deve resultar de um coração arrependido e contrito. A conversão verdadeira não é resultado da busca pela satisfação pessoal, seja emocional ou física. A busca pela satisfação dos desejos físicos e emocionais resulta em um coração egoísta e em uma postura hedonista. É uma busca contraditória, quanto mais se busca a felicidade mais longe ela fica, parece que sempre se precisa de mais um pouco.

Apenas arrependimento sincero e a disposição de deixar tudo para seguir o mestre trazem a satisfação plena. Não porque temos nossos desejos mundanos realizados, mas, porque o encontro com Cristo direciona nosso caminho para o propósito da criação. Quando temos a convicção de estar cumprindo o destino para o qual fomos criados nos sentimos plenos e realizados, ainda que as circunstâncias sejam desfavoráveis.

Muitos líderes têm propagado uma postura irresponsável diante do pecado, utilizam a graça de Deus como desculpa para permitir, e até mesmo cometer, todo tipo de pecado. Pois, afinal de contas, a graça do Senhor é suficiente para perdoar nossos pecados. Além disso, o evangelismo é realizado de forma a levar as pessoas á vida religiosa, ainda que não exista conversão. A motivação principal são os números, alguns grupos chegam a estabelecer metas para que sejam cumpridas por seus obreiros, tanto no que se refere ao número de decisões quanto na quantidade de ofertas que devem ser recolhidas. Tratam a igreja como uma empresa.

As pessoas alcançadas por este tipo de evangelismo vivem na ilusão de estarem na comunhão de Cristo, apesar de nunca terem experimentado o novo nascimento. Acreditam que o simples levantar as mãos diante de uma congregação, o dízimo mensal e o comparecimento às reuniões da igreja sejam a garantia da salvação. Estas pessoas, seduzidas por pregações açucaradas, continuam escravizadas pelo pecado, sem ter a menor idéia do que seja uma experiência pessoal com Cristo.

Mas o que a bíblia nos ensina a este respeito?

Romanos 6: 1-5 – Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? 2 De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. 5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição.

O ensinamento bíblico é claro nossa conversão é morte para uma vida antiga e ressurreição para uma nova vida e o batismo, antes de ser uma formalidade litúrgica, é um memorial pessoal e público desta nova vida. Converter-se é abandonar nosso caminho antigo, dirigido por nossas vontades e sabedoria, e começar a caminhar sob a direção, controle e sabedoria de Cristo. Mesmo que custe nossa segurança pessoal, conforto ou bens.

Mateus 16:26 Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? {ou vida} Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?

Romanos 12: 12 – 13 – Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.

O momento da conversão marca uma reviravolta na vida das pessoas é local temporal onde o pecado deixa de ter domínio sobre o indivíduo e o senhorio de Cristo passa a dirigir sua vida. Entretanto, não se trata apenas de uma experiência mística e emocional. É necessário o sacrifício de nosso velho estilo de vida, onde nossos membros eram instrumentos de iniqüidade.

Quando somos levados a apresentar nossos membros como instrumentos de justiça, nos colocamos a disposição para o serviço. Para que servem instrumentos, senão para serem usados? A imagem nos leva a crer que a vida após a conversão deve ser direcionada ao exercício da justiça, pela submissão de nossa mente e corpo à vontade do altíssimo. Imolamos nossos desejos, vontades e voluntarismos como sacrifício vivo. Nossa força deve ser gasta intencionalmente na construção Reino. A Nova vida em Cristo é uma antítese da existência pré-cristã onde, ainda que inconscientemente, nossa mente e corpo funcionavam como ferramentas de oposição ao reino de Deus e a sua Justiça.

É claro que a salvação não depende de obras e só pode ser alcançada pela fé, mas gosto muito de ser confrontado por um texto de Tiago:

Tiago 2:18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.

A manifestação exterior da salvação é evidente, visível. A obra iniciada no coração não pode ser encoberta. Cada músculo e tendão, inundados da presença de Deus, manifestarão as obras de um coração redimido.

Aquele que conheceu a salvação tem plena consciência da escravidão em que vivia. O coração convertido, antes de ansiar pelas coisas do velho homem, teme ser dominado novamente pelas obras da carne. Depois de se experimentar, verdadeiramente, a liberdade de ser escravo de Cristo, transformados em servos da justiça. Não se pode conviver com o pecado. Entendemos que a satisfação momentânea é a isca que nos prende á armadilha, e que só podemos ser livres nos tornando escravos.

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