Perdão vs a realidade

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A realidade é uma marreta na cara dos incautos, avassaladora, detona sonhos esperanças e deixa escancarada as fragilidades do homem, do mais bruto ao mais delicado. A impiedade da realidade não pode ser enfrentada com sonhos, desejos ou ilusões, cada homem (ou mulher) precisa encarar o caminhão, e torcer para aguentar o impacto. De qualquer forma, por mais impiedosa que seja, ao encarar sua verdadeira condição o indivíduo pode preparar-se para dar o troco, para levantar-se, se não podemos mudar a realidade podemos nos adaptar. E como diz um velho ditado: – O que não me mata me deixa mais forte.

Seja em que área for tomar pé de sua real condição pode ser muito doloroso, às vezes, insuportável. Me lembra Matrix, o filme, e a escolha sobre qual pílula tomar, a que mostra a Matrix e a que mantém o personagem na ilusão. Enganado o homem pode viver em uma situação de relativo conforto, como um peru no mês de dezembro, convicto de que agora em diante tudo vai ficar cada vez melhor, afinal nunca comeu e bebeu tão bem em toda a sua vida. Imagine se os moradores de Fukushima tivessem a dimensão do tsunami que se aproximava ou se os usuários da Boate Kiss pudessem imaginar como acabaria o Show da Gurizada Fandangueira, com certeza o incômodo inicial seria em pouco tempo substituído por uma série de medidas que evitariam a perda de muitas vidas.

Menos dramático, mas não menos importante, é conhecer a realidade dos sentimentos e intenções das pessoas que nos cercam. Principalmente porque quando temos uma grande estima por alguém fica difícil imaginar que, de alguma forma, o sentimento não seja recíproco. E aí está um grande perigo, que pode afundar e destruir a alma e deixar marcas mais profundas do que qualquer tsunami e cicatrizes mais doloridas do que a de qualquer queimadura.

A complexidade dos sentimentos e da mente humana pode pregar peças no mais preparado dos homens. O modo como as pessoas reagem aos problemas, relacionados ou não a uma determinada relação, pode mudar inteiramente o modo como uma pessoa sente e relaciona-se com outra. Eventos traumáticos, como a morte de um ente querido, uma falência, uma fofoca maldosa, uma agressão, uma dicussão muito ríspida, um assalto ou uma prisão podem transtornar a comportamento e os sentimentos e, consequentemente, o modo como alguém se relaciona. Conhecer essa realidade pode poupar não apenas lágrimas e sofrimento, mas muito tempo.

Se o tal evento foi determinado, de alguma forma, voluntária ou não, por você, a mágoa pode ser canalizada. O “causador” do evento passa a ser o alvo de uma ira disfarçada, que muitas vezes o portador gostaria de não sentir, mas ainda sim não consegue desvencilhar-se dos sentimentos. Como sentimentos ruins raramente são confessados, principalmente em relações estáveis, o mal estar pode crescer muito, tornando o relacionamento inviável. Ainda assim, o desconhecimento da real causa do desconforto, por todos os envolvidos, faz com que tomem soluções paliativas aumentando a mágoa, a dor e minando relações que já foram saudáveis.

Se o conhecimento puro da realidade não pode ajudar na reconstrução dos laços é fundamental para que as pessoas entendam o que está acontecendo e de forma racional determinar estratégias que possam minimizar o desconforto e o sofrimento de todos. Mas acredito que qual seja a realidade que conheçamos a verdadeira cura só será iniciada por um ato tão complexo (e ao mesmo tempo tão simples) quanto a mente humana, o perdão.

Não importa qual seja a realidade, ou a complexidade do problema, tuda a solução passará por este ato.

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. Lucas 6:37

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Mateus 6:14

Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Efésios 4:32

Por:Luiz Fernando Ramos Aguiar

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