Teologia do Palhaço Carequinha

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Colossenses 2:20-21 20 Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: 21″Não manuseie!” “Não prove!” “Não toque!”?

Quando era criança existia um palhaço muito famoso, aliás, ele já era conhecido muito antes da minha existência, seu nome era Carequinha. O Carequinha conquistou gerações com suas “palhaçadas”, já tinha um programa de televisão na década de cinquenta, e uma das principais razões para o sucesso deste palhaço era sua preocupação em divertir as crianças sem abandonar princípios da boa educação, da cordialidade e do respeito ao próximo. Um dos maiores sucessos do Carequinha foi a música O bom menino: O bom menino não faz pipi na cama/O bom menino não faz malcriação/O bom menino vai sempre à escola/E na escola aprende sempre a lição/O bom menino respeita os mais velhos/O bom menino não bate na irmãzinha/Papai do céu protege o bom menino…

É comum limitarmos nosso estilo de vida cristã à “teologia do palhaço carequinha”. Manter um comportamento socialmente adequado, de acordo com as regras da boa educação e da cidadania, confunde-se, ou funde-se, ao conceito de comportamento cristão, comprometido com a causa do evangelho. Ou seja, basta sermos bons meninos. Entretanto, à medida que conhecemos o evangelho, através do ministério de Jesus, somos confrontados com um nível de entrega muito além do que se espera de uma pessoa comum.

Obedecer às regras de boa educação, as leis e as autoridades constituídas é, sem dúvida, uma atitude esperada por um cristão, mas não apenas, qualquer pessoa que faça parte de nossa sociedade deve cumprir as regras estabelecidas. Na verdade, o conceito de cidadania, desde a sua formação na antiguidade, baseia-se no respeito, por parte dos cidadãos, a uma série de limitações dos direitos individuais para consolidação da convivência coletiva, nosso contrato social. Respeitar o contrato social é o que se espera de todos os membros de nossa comunidade. Aqueles que não se adéquam às regras acabam sendo punidos, seja pela exclusão da participação na comunidade ou mesmo pela restrição à liberdade imposta pelo Estado.

Vivemos em um mundo decadente. Parece que estamos assistindo um acelerado processo de decadência moral. Nossos líderes, tanto no mundo quanto na igreja, nos decepcionam dia após dia. Deputados, senadores e governantes envolvidos em histórias nojentas de corrupção. Líderes da igreja envolvidos em escândalos. Ministérios Cristãos baseando suas doutrinas no amor ao dinheiro, em pregações de autoajuda e na recompensa imediata dos desejos. Estas doutrinas, espalhadas no mundo “evangélico”, acabam seduzindo e envolvendo. É preciso que estejamos vigilantes para não sermos tragados por ventos de doutrina.

Dessa forma, acreditamos que não ser como o decadente moral, estabelece o padrão esperado para a vida cristã. Tomados por um legítimo desejo de elevar os padrões de comportamento dos cristãos, fornecemos listas de atitudes que devem, ou não, fazer parte do cotidiano: Colossenses2:21″Não manuseie! ” “Não prove! ” “Não toque! ” Quase sempre a ênfase destes ensinamentos recai sobre princípios de cidadania, respeito às leis e comportamento social adequado, seja um bom menino.

No versículo 21 do segundo capítulo de Colossenses Paulo está alertando os cristãos em Colossos, sobre obediência a regras religiosas vazias e ensinamentos supersticiosos. Para isso enfatizava o projeto redentor de Cristo e o caráter libertador da salvação, colocando regras rígidas e intransigentes como uma forma de aprisionamento. Além de não provocarem nenhum resultado prático no combate ao pecado:

Colossenses 2:20-23 Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: 24 “Não manuseie! ” “Não prove! ” “Não toque! “? 25 Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. 26Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.

Apesar da mensagem em Colossenses estar voltada a regras de uma teologia comprometida, o texto pode ser transportado a realidade atual, onde permanecemos paralisados pelas regras e interpretações proferidas pelos modernos doutores da lei. Estáticos, queremos nos adequar esquecendo a verdadeira prática dos princípios fundamentais da vida em Cristo.

Colossenses 2:8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.

Dedicamos grande força e energia no cumprimento de regras religiosas e sociais, somos fiéis no dízimo, pagamos impostos, nunca mentimos na declaração de renda, somos agradáveis com os vizinhos e frequentamos bravamente todas as reuniões de condomínio. Algumas vezes chegamos a dar esmolas e até a contribuir com alguma obra assistencial. Nunca assistimos a filmes inadequados, vigiamos com rigor nossas incursões pela internet. A música e os livros que consumimos são sempre cristãos. Paulo ensina que as regras humanas estão destinadas a desaparecerem e mesmo que tenham aparência de verdadeira religião e exijam sacrifício do corpo não possuem utilidade para “refrear os impulsos da carne”.

Então como podemos desenvolver um estilo de vida que reflita verdadeiramente a pessoa e a obra de Jesus?

A bíblia ensina que existe um caminho que foi preparado por Deus para que pudéssemos andar por ele. Existe uma estrada pavimentada pelo próprio Criador para guiar nossos corações e mentes à verdadeira religiosidade. Não pelo exercício de mecânico de regras, mas pelo direcionamento daqueles que decidem trilhar pelo caminho estabelecido. Este caminho se torna o trilho sobre o qual nos deslocamos na caminhada cristã. Uma trilha segura, um caminho estreito, onde o caminhar é penoso, mas impede que deixemos de prosseguir no rumo correto.

Efésios 2:8-10 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. 11 Não vem das obras, para que ninguém se glorie; 12 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Se nossa salvação se estabelece pela crença na obra salvadora de Cristo, se consolida e se desenvolve através de um ministério voltado ao socorro e atenção às pessoas não ao respeito a regras humanas. O alvo do evangelho, e de toda a obra redentiva, é a vida das pessoas. Jesus não está preocupado que as pessoas conheçam apenas intelectualmente seus ensinamentos. É necessário que seus discípulos estejam comprometidos de forma que sua vida pessoal e ministério sejam indissolúveis. A exposição á convivência com um cristão deve ser suficiente para modificar a realidade daqueles que estejam em contato com ele.

Tiago 2:14-20 14 Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? 15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, 16 E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 17 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. 18
Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. 19 Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. 20 Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?

Quando analisamos o ministério de Jesus notamos que todas as pessoas que tiveram um encontro com ele foram modificadas. Ninguém saía da presença Dele sem ser impactado de alguma forma. Ele alimentava famintos (Mateus 14 – Multiplicação dos Pães). Ele Curava os enfermos. Ele confrontava os religiosos (Marcos 10 – O jovem rico). O ministério de Jesus não se construiu apenas em palavras, mas em ações, que sempre estavam focadas nas pessoas, em vidas, na mudança da realidade e no atendimento da uma necessidade. De modo semelhante devemos orientar o ministério pessoal, comprometidos com a divulgação de um evangelho que produza frutos práticos, estabelecendo um comportamento de doação. Vendo a necessidade do próximo tão prioritária quanto a nossa.
No capitulo 25 do evangelho de Mateus podemos ter um idéia da importância deste caminho, traçado pelo próprio Deus. O texto nos ensina sobre o destino eterno e sobre como serão separados os que percorreram o caminho verdadeiro e aqueles que escolherem um caminho diferente.

Mateus 25:31-35 – 31 “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. 32 Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. 33 E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. 34 “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. 35 Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; 36 necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. 37 “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? 39 Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ‘ 40 “O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. 41 “Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. 42 Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; 43 fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. 44 “Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos? ’45 “Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’.

É muito importante o destaque dado ao acolhimento e socorro às pessoas, o ministério cristão não deve estar apoiado em amontoados de pregações inertes. Cada escravo de Cristo deve estar comprometido em ir além do que nos propõe estes tempos medíocres em que vivemos. Não basta apenas falar, não é suficiente querer ser é necessário entrega total, irrestrita.

Não podemos estar satisfeitos em sermos apenas bons meninos. Não podemos ensinar nossos filhos, congregações e células a limitarem suas ações às expectativas religiosas e sociais adequadas. Nosso envolvimento deve estar além das palavras, do bom comportamento ou do engajamento social. O foco do cristianismo, desde os primeiros tempos, esteve nas necessidades das pessoas na salvação integral. No atendimento das emergências, tanto da alma como do corpo. Jesus é enfático nos direcionar para o acolhimento dos necessitados, negligenciar o sofrimento alheio e negar auxílio ao próprio Cristo. Como podemos nos distanciar de um comportamento defendido pelo próprio Cristo, como abandonar um caminho traçado, projeto, para adequar nossa fé. Ao direcionarmos nossa jornada pela vereda das boas obras conseguimos dar sentido a nossas crenças, completamos o projeto de Deus para nossas vidas, o socorro dado ao próximo se reverte em benção para quem o promoveu.

Atos 4:34-35 34 Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. 35 E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

O cristianismo nos exige muito mais do que gostaríamos de dar, muito mais do que seria humanamente aceitável, é um compromisso de vida. Quando nos comprometemos com o Senhor, como servos, estamos rejeitando nossos direitos pessoais. A vida do servo está nas mãos do seu Senhor. O servo só possui o que lhe dado pelo senhor, só se alimenta daquilo que provem do senhor, mesmo a sua vida está nas mãos do seu senhor.

Viver na inteira dependência do Senhor envolve muito mais do que é exigido pela teologia do Palhaço Carequinha. O compromisso do cristão deve ser como o de Cristo, até a morte. E o caminho para viver este compromisso foi estabelecido por Deus. Não se trata de aplacar a consciência através da ajuda ao próximo, mas de estar comprometido com a dor do outro.

Não precisamos percorrer grandes distâncias para encontrar aqueles que precisam ser alcançados pelo nosso ministério. As pessoas mais impactadas pelo ministério de Cristo, sem dúvidas, eram os 12 discípulos, aqueles que estavam sempre ao lado do mestre. As mudanças ocorridas nas mentes e almas dos discípulos criaram uma paixão tão grande pela causa do evangelho que eles puderam, através do ministério da fé, modificar a história da humanidade. Lembrando que quase todos os cristãos daquela geração padeceram finais tenebrosos, foram exterminados para que pudessem ser calados. Mas a paixão gerada em seus corações era contagiosa, passando de cristão à cristão, lançando fora todo medo, e ainda hoje podemos desfrutar das ações praticadas por estes homens.

Devemos buscar acolher e alcançar as pessoas que estão a nossa volta. O necessitado não precisa, necessariamente, estar em um lugar distante e inóspito. Nosso ministério, como o de Cristo, deve ter início ao nosso redor, em casa, na vizinhança, no trabalho, na igreja onde quer que estejamos. A natureza do Cristão deve ser a doação e a caridade e acima de tudo deve manter a motivação correta para o exercício da carreira.

1Coríntios 13:3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

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