Série Chernobyl HBO

Jamais pensei que uma série produzida para a TV norte-americana, ainda mais se tratando do canal à cabo HBO, poderia chegar ao estado da arte que poucos filmes conseguiram, pelo menos nos últimos 30 anos, já que o mercado é saturado de séries e filmes com temáticas ‘revolucionárias” inúteis, como luta de classes, luta entre gerações, papo furado de “gênero” dentre outras porcarias. Quando uma série é produzida sobre um momento histórico é, quase sempre, um revisionismo revolucionário chinfrim, como acontece no Brasil quando resolvem retratar historicamente um período como os anos 70 (da terrível ditadura brasileira). Mas, pelo menos nesse caso, a série é magnificamente fiel e espetacularmente bem produzida e dirigida.

A série retrata de maneira quase que como um documentário o acidente nuclear em Chernobyl, Ucrânia, em abril de 1986, quando o país, e quase metade do planeta terra, estavam sob o domínio do comunismo leninista.

A reconstituição de época é impecável: roupas, carros, arquitetura, tudo está retratado como era na URSS nos anos 80.

Tudo está retratado na série: os carros, roupas, fardas, as cidades soviéticas (destaque para a cidade de Prypiat), aeronaves, sendo uma viagem no tempo para a URSS dos anos 80. Mas a série vai muito além disso, retratando a brutalidade e desumanidade do regime comunista em seus detalhes, nas suas nuances, nuances estes que para que eu entendesse plenamente me custou quase dez anos de leitura de dezenas de livros.

A sequência onde se retrata o acidente, e o seu porquê, é uma obra prima da narrativa cinematográfica, mostrando que não existe sistema ou protocolo que consiga salvaguardar nenhuma estrutura humana do carreirismo, incompetência e canalhice. Quando esses fatores se juntam o acidente, seja uma queda de avião, uma batida com um caminhão com carga perigosa ou a explosão de uma usina nuclear contaminando metade de um continente, é uma questão de tempo. E esses fatores não eram a exceção no regime comunista soviético, eram a regra, como acontece até hoje na Venezuela, Cuba, China e Coréia do Norte.

Cena da sala de controle da usina nuclear instantes antes do acidente: carreirismo, incompetência e canalhice eram o padrão de funcionamento das estruturas do Estado Soviético, como é próprio do comunismo.

A série foca na luta de três personagens improváveis: um físico nuclear especialista no reator que explodiu, o ministro da energia nuclear da União Soviética e uma Dra Bielo Russa que se junta a dupla inicial ao descobrir sozinha o que estava de fato acontecendo em Chernobyl. Eles se veem tendo que lutar contra o tempo para evitar que uma segunda explosão, ainda maior, possa ocorrer, dentre inúmeros fatores adversos, como a burocracia socialista, a desumanidade da direção do partido comunista, a obsessão de esconder a verdade do público a qualquer custo, a KGB, enfim, o que em um país livre já seria uma batalha épica, no caso do acidente nuclear de Chernobyl foi heroísmo puro, com todos ficando contaminados pela radiação e sendo ameaçados, até mesmo, presos, por lutarem para mitigar a situação.

Uma das sequências mais impressionantes da série é quando uma fileira de helicópteros é mandada para jogar areia e boro dentro do reator em chamas.

Que esta série histórica seja um exemplo para as produtoras de entretenimento mostrando que é possível realizar uma produção para a TV de qualidade, historicamente fiel, e que nos faça pensar sobre como as ideologias malignas do século 18 (o comunismo/socialismo) são mortais e perigosas a toda a humanidade. Até hoje.

Olavo Mendonça.

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