Lúcifer – Revolução Cultural sem Refinamento

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Tom Ellis, como Lúcifer

Imagine uma série padrão Hollywood, atrizes lindas e sensuais, atores bonitos, produção caprichada. O roteiro com uma trama bem amarrada, piadas incidentais e conflitos familiares intensos. Tudo isso em cenário luxuoso, a cidade de Los Angeles. Pareceria apenas mais uma produção entre as centenas e, séries e filmes produzidas anualmente para (e pela Netflix) não fosse o protagonista. Por mais maluco que possa parecer o herói é nada menos que Lúcifer, que dá nome ao seriado. E não estamos falando de um personagem inspirado, trata-se do próprio Príncipe das Trevas, o Belzebu, o Tinhoso, o Acusador, o Diabo.

A série é talvez o produto mais escancaradamente dedicado ao processo de revolução cultural já produzido. Sem a sutileza das histórias de anti-heróis que exploram os conflitos humanos para justificar a maldade dos delinquentes, os roteiristas vão direto a fonte de todo mal. Humanizam o Diabo de tal forma que em poucos episódios o espectador será um admirador do protagonista, achando que no final das contas Lúcifer não é tão mal assim.

O Lúcifer de Tom Kapinos é sempre simpático e charmoso, um fenômeno na conquista de homens e mulheres, um sedutor incorrigível. Além disso, ele odeia o papel que Deus reservou para ele, o de ser o rei do inferno, o que motivou sua fuga para a Terra, onde vive como um playboy, dono de uma boate badalada e que, nas horas vagas é consultor da polícia local. Claro sem falar que ele é apaixonado por uma policial. Para completar todos os anjos que aparecem na série são cruéis e antipáticos servidores de um Deus ausente que se diverte manipulando seus filhos.

Tudo na série é direcionado para que o espectador admire cada vez mais o personagem principal, que se torna a cada episódio um diabo melhor. Se a série não é grande coisa em termos de audiência ou repercussão não é o caso, a questão é como a cada dia fica mais evidente a estratégia de desconstrução dos valores que formaram nossa sociedade e já não sequer o pudor em esconder estas intenções. A série é apenas a cereja do bolo em uma avalanche de lixo cultural que diariamente é despejada sobre todos nós.

Eu não recomendo.

Ficha técnica:

  • Formato – Série
  • Gênero – Polícia processual, Comédia dramática, Mistério, Crime, Terror, Fantasia
  • Duração – 43 minutos
  • Baseado em Personagens criados para a Vertigo de Neil Gaiman, Sam Kieth e Mike Dringenberg
  • Desenvolvedor – Tom Kapinos
  • País de origem – Estados Unidos
  • Idioma original -Inglês

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