Maquiavel ou A confusão Demoníaca

livro do professor Olavo de Carvalho mostra as contradições da obra de Maquiavel

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Maquiavel ou A confusão Demoníaca

Maquiavel é reverenciado na cultura nacional como o construtor de um método infalível de se alcançar e se manter no poder. Chamar alguém de maquiavélico no Brasil é misto de insulto com elogio, como se o cidadão tivesse encontrado um feitiço mágico que causa constrangimento ao usuário, mas traz os resultados esperados. No conciso e preciso Maquiavel ou a Confusão Demoníaca o professor Olavo de Carvalho desmistifica a pretensa sabedoria estratégica do autor que nunca soube sequer estar ao lado dos vencedores.

A leitura da uma pequena amostra das várias interpretações e leituras sobre a obra de Maquiavel revelando que antes de qualquer coisa ele nunca foi uma unanimidade e que seus escritos, muitas vezes contraditórios, não puderam ser completamente compreendidos. Mesmo estando tão próximo de nos na linha do tempo e tendo amplo conhecimento de sua biografia.

Mesmo reconhecendo a intervenção do poder divino, que Maquiavel chama de Fortuna, ele parece parodiar os valores mais caros da moral cristã, que aparentemente despreza, planejando um comportamento violento e amoral do Príncipe, dissimulado de realismo. Ao mesmo tempo não consta que o autor em qualquer fase de sua vida tenha adotado este tipo de comportamento, pelo contrário, sempre procurou servir aos poderosos sem nunca aplicar suas próprias técnicas.

Neste sentido a leitura é instigante e desafia os conceitos construídos sobre a obra do autor que, textualmente, se admite com confesso mentiroso:

“Não creio em nada do que digo e não digo nada do que creio – e quando descubro algum miúdo fragmento da verdade, trato de escondê-lo sob tamanha montanha de mentiras que se torna impossível encontrá-lo”

Para todos que aprenderam, como eu, que Maquiavel é o grande mestre da política este é um livro fundamental. Que desbravando as contradições e incoerências entre a vida e a obra do autor traz uma nova perspectiva. Uma reflexão sobre como o próprio autor encarava sua obra e em como em um ato final de sinceridade, em seu leito de morte, Maquiavel renega a Virtù e abraça a Fortuna, deixando o inferno para o Príncipe.

Por: Luiz Fernando Ramos Aguiar

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