Na Mora de Pedro Bial

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O programa “Na Moral”, apresentado por Pedro Bial, levou ao ar um “debate” (bota aspas nisso) cujo tema foi a “legalização das drogas”, no último dia 4 de julho. Dentre os convidados para o “debate” estiveram o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso, o músico Marcelo D2 e a atriz Fernanda Montenegro.

Citar os convidados já bastaria para dizer do que se trata. Pois é. Foi mais um daqueles típicos “NÃO vale a pena ver de novo”, salvo o caso se alguém for assistir a atração global como se fosse um biomédico que colhe uma amostra fecal – neste caso, da canalhice midiática brasileira. Não que desta vez tenha havido uma apologia à legalização da maconha. Não. Desta vez foi uma apologia à legalização de absolutamente tudo. Isto é dizer que foi o maior exemplo recente do uso da técnica da porta na cara da televisão brasileira [1]. Coisa para Ivan Karamazov nenhum botar defeito.

Sob pretextos monetários e a conclusão (feita pelo próprio Bial) de que a guerra foi vencida pelos bandidos, ficou-se convencionado (pelo menos entre o apresentador e seus convidados) que é necessário estender o tapete vermelho para as FARC, Beiramar e cia. Ltda por se tratar de uma guerra impossível de vencer. Bem, eu não o vi “dar nome aos bois”, mas como será possível chamar os distintos guerrilheiros e traficantes de “bandidos” quando cocaína for mercadoria devidamente legalizada?

Que é uma guerra impossível de vencer é coisa sabida, mas daí tirar a conclusão de que se deve cessar a guerra e dar os louros da vitória à bandidagem… bom, isso é infame, para dizer o mínimo.

Se aceitarmos essa infame conclusão, deveremos então acatar a sugestão do primeiro infeliz que advogar o fim da medicina por ser uma guerra sem prognóstico vitorioso; não precisa ser um gênio para saber que as doenças jamais serão eliminadas deste mundo. E mais: cada vez que o sol nasce, maior é o gasto do combate às doenças. Deveríamos então cessar a medicina por conta de ser uma guerra cada vez mais cara e sem chance de vitória? Nessa lógica macabra (típica das organizações as quais o nosso ex-presidente apoia) sim.

É óbvio que nesse infame pacote não poderia deixar de vir embutida alguma absurdidade daquelas que passam despercebidas e são inculcadas no subconsciente do telespectador: a criminalização do açúcar. Imagine só você quantas desgraças e quantos assassínios foram causados pelo açúcar. Pense só quantos filhos roubaram todos os pertences da família para poder desfrutar de mais um milk-shake! Quantas vezes vimos José Luiz Datena e Marcelo Rezende se indignando com os canalhas que submeteram comunidades inteiras para desfrutar de um bolo de brigadeiro! Imagine você a formação de uma milícia como as FARC que se sustente por meio da venda de açúcar.

E antes que venha alguém mais engraçadinho que eu dizer: “ora, mas e as pessoas com diabetes e outras doenças agravadas pelo açúcar, o que você diz?”. Digo que até água em excesso mata.

 

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[1] Explicando resumidamente, essa técnica consiste em pedir algo muito maior para conseguir algo menor, que no final das contas, era o que se pretendia desde o começo. Por exemplo: Quero 10 reais, portanto peço 100 reais; Quando a pessoa recusar a quantia maior (e fechar a porta na minha cara), eu peço então que ela faça uma pequena cessão de apenas 10 reais – uma quantia muito menor que a originalmente pedida. Pois bem, quando a luta era apenas pela legalização da maconha, conseguiu-se uma tolerância bem maior com os usuários (estou dizendo que foi assim, não estou fazendo juízo de valor). Agora que isso não basta mais, prega-se a legalização de todas as drogas para que se legalize pelo menos uma (ou algumas delas) e assim vai: de porta em porta na cara eles vão conseguindo o que querem. No livro Maquiavel Pedagogo – que eu não canso de citar – existem exemplos práticos da aplicação mal intencionada dessa técnica no meio educacional.

Fonte: Mídia sem Máscaras

 

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