10 dicas para uso da TASER

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Hoje no Brasil, praticamente todas as Corporações policiais investem grande parte dos seus recursos em tecnologia menos que letal, armas e equipamentos que minimizam a probabilidade de, em uma ação policial, que o indivíduo venha a óbito.

O seu uso iniciou-se há mais de 30 anos e hoje vive o seu ápice com novas técnicas e tecnologias.

Seja com o bom e velho cassetete ou bastão policial do tipo retrátil, com os sprays de pimenta ou com munições de elastômero (também chamadas de munições de borracha), os policiais militares e agentes de polícia sempre procuraram operar com o que existe de mais moderno e seguro.

Há dez anos atrás chegou ao Brasil mais uma opção para o uso policial menos que letal: As armas de incapacitação por choques elétricos, também chamadas de TASER.

Essas armas funcionavam com uma dinâmica totalmente diferente das demais opções comumente usadas. A começar a arma tinha uma empunhadura igual à da arma de fogo, o que de imediato auxiliava o policial na sua operação, já que todo profissional de segurança pública já sai do curso de formação com o conhecimento completo de manuseio, segurança e operação de armas de fogo curtas e longas. Por isso a sua adaptação ao novo armamento menos que letal se faz quase de imediato, pois, apesar de se tratar de mais uma opção para que o policial poupe vidas durante o atendimento de ocorrências, é uma arma, ou seja, tem que se obedecer aos mesmos cuidados de porte, checagem, alimentação e operação de uma arma convencional.

Arma elétrica: Uma grande ajuda no serviço policial.

Além da facilidade de manuseio e coldreamento, a nova arma trabalha com a incapacitação motora temporária, praticamente inviabilizando uma reação agressiva de um autor de crime em situações específicas, onde o uso de arma de fogo convencional não era o indicado. Essa incapacitação temporária, em média de 5 segundos, faz com que a contenção, algemamento e condução sejam muito mais fáceis e seguras, tanto para o policial, quanto para o perpetrador.

Além desse fator, o armamento de incapacitação neuromuscular elétrico (AINE) tem possibilidades únicas, como por exemplo a capacidade de se conectar a um computador comum e ser auditada quanto ao uso e disparos, facilitando enormemente a auditoria e produção de provas.

Contudo, para que esse armamento moderno seja utilizado com segurança pelos profissionais de segurança pública, privada e militares, é necessário alguns cuidados fundamentais para que seja aumentada a margem de segurança de porte e operação.

Por isso seguem 10 conselhos práticos que ajudam ao policial no seu dia a dia de manuseio do equipamento e que podem ser fundamentais para o sucesso ou o fracasso do seu uso em ocorrências.

Lembrando que os modelos em uso no Brasil são as M-26 (já bastante antigas e fora de linha) e as X-26 e X-26P. Essas dicas não se aplicam as novas X-2 e X-3, pois apesar de ser instrutor e especialista no uso, manutenção e perito em toda a linha de armas elétricas TASER, inclusive essas recém lançadas, não se tem informação de sua operação no Brasil, principalmente por serem de última geração e ainda serem lançamento nos Estados Unidos. A sua operação é consideravelmente diferente dos modelos antigos em uso no Brasil, por isso, caso alguma corporação já as possuir basta nos informar para que possamos escrever outro artigo de dicas de uso, porte e operação com os novos modelos.

X-26 em uso no Brasil e nos EUA
X-26 em uso no Brasil e nos EUA.
M-26 o modelo mais comum no Brasil e fora de linha nos EUA
M-26 o modelo mais comum no Brasil e fora de linha nos EUA.
X-2 e X-3 ainda não existem no Brasil
X-2 e X-3 ainda não existem no Brasil.

Sugiro que memorize essas dicas ou as imprima como um “Check list” para relembrar antes de cada serviço.

Ao receber o armamento verifique o estado geral da arma, se existem rachaduras ou se as baterias estão bem conectadas.

Retire o cartucho da arma. Verifique se está com as portas intactas, se está amassado ou danificado. Qualquer dessas alterações podem fazer com que o disparo falhe, ou que as sondas elétricas errem o alvo.

O cartucho deve estar intacto. Atenção nas portas.
O cartucho deve estar intacto. Atenção nas portas.

Antes de ligar a arma ou fazer maiores testes com ela deixe o cartucho em um local seguro e sem eletricidade estática. A eletricidade estática pode causar um disparo espontâneo da munição elétrica.

Ligue a arma e verifique se a luz acendeu e se o laser está funcionando (M-26). Na arma X-26 e X-26P verifique no visor traseiro o número que aparece. Este número é porcentagem da carga da bateria.

Aponte a arma para uma posição segura e aperte o gatilho. Olhe e escute a descarga elétrica. Tanto na M-26, quanto na X-26 a descarga é de 5 segundos, com vários pulsos. A velocidade da pulsação é importante, já que uma pulsação mais lenta indica que a bateria está fraca. Se isso ocorrer verifique o visor, no caso da X-26, se estiver abaixo de 20% a bateria tem de ser trocada. Se for na M-26 recarregue as pilhas no carregador próprio da arma.

Cuidado ao testar a corrente elétrica: Não pode haver cartuchos na arma.

Lembre-se, nas X-26 e X26P, as baterias não devem ser removidas pois pode causar danos de memória na arma.

Finalizada a inspeção recoloque o cartucho na arma sem colocar a mão na frente das portas, pois em casos raros, pode ocorrer um disparo acidental causado pela eletricidade estática residual do teste.

Coloque a arma no coldre. Não porte a arma em mochilas, bolso de calças ou camisas nem em colete táticos em que o cano fique apontado para a barriga, pois em caso de disparo acidental do cartucho por eletricidade estática, podem haver lesões no próprio policial ou em terceiros.

Arma elétrica coldreada. Uso sempre do lado oposto ao da arma de fogo.

Ao portar a arma no cinto com o coldre afivelado tenha cuidado para não colocar a mão no armamento enquanto fala no rádio pressionando o PTT, pois a interferência causada pela emissão de radiofrequência do rádio em 400 Mhz pode disparar o cartucho.

10° Ao término do serviço devolva o armamento desligado e com o cano apontando para um direção segura. Lembre-se de verificar se ela realmente está desligada pois caso contrário ocorrerá a descarga da bateria e, no caso das X-26, como elas não são recarregáveis, só uma nova.

Com essas dicas acredito que a inspeção, porte e devolução do armamento de incapacitação neuromuscular elétrico (AINE) será mais segura e profissional.

Olavo Mendonça.

O autor é especialista em uso e instrução de armamento elétrico de incapacitação neuromuscular elétrico (AINE), em manutenção de AINE e é perito em uso e auditoria do uso de AINE’s certificado pela TASER International.

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