Evolução dos Equipamentos Policiais

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Cinto de Guarnição Sam Browne

Quando tratamos de equipamentos policiais, de muitas maneiras nos temos uma longa trajetória desde os tempos em que nas cidades onde os marshals empurravam as portas dos sallons anunciando a revista para localizar armas no recinto. De qualquer maneira não fomos muito mais longe. Muitos departamentos de polícia nos Estados Unidos estão presos ao tradicional cinto operacional Sam Browne. Alguns até tem mantido a alça transversal, mesmo que a maioria se refira a esta correia, que passa da frente para as costas sobre o ombro direito, como a alça do suicídio. Mas o cinto Sam Browne continua funcionando bem, especialmente considerando que ele foi projetado no século 19.
UM CAPITÃO CORAJOSO

O General, Sir Samuel James Browne, então comandante da 2º Cavalaria de Punjabi, foi atacado por tropa com um canhão de 9 libras. Seu braço esquerdo foi gravemente ferido por um corte de espada. Ainda assim ele conseguiu impedir a recarga do canhão e, ao fazer isso, venceu a batalha.

General James Samuel Browne - Desenvolvedor de uma das peças mais tradicionais do fardamento militar e policial.
General James Samuel Browne – Desenvolvedor de uma das peças mais tradicionais do fardamento militar e policial.

A citação pela Cruz Victoria (uma das mais altas condecorações concedidas a um militar britânico) dada a Browne por suas ações em batalha, traz: “em batalha com as forças rebeldes comandadas por Khan Alie Khan, em 31 de agosto de 1858, enquanto avançava sobre as posições inimigas, de madrugada, com seu ordenança Sowar (soldado de cavalaria indiano) em direção a um de canhão de 9 libras comandando uma abordagem as posições inimigas, atacou os artilheiros que operavam o canhão, impedindo a recarga e o fogo sobre a infantaria, que estava avançando. Fazendo isso, uma guerra pessoal se segue, quando o capitão, agora tenente-coronel, Samuel James Browne, Comandante da 2º Cavalaria de Punjabi, recebe um grave corte de espada no joelho esquerdo, logo após outro corte de espada, também grave, em seu ombro esquerdo, não, contudo, antes o Tenente-Coronel Browne teve sucesso em derrubar um dos soldados que o feriu. A recarga do canhão foi impedida, a peça capturada pela infantaria e o artilheiro morto”.

Cruz Vitoria - Mais alta comenda concedida aos militares britânicos
Cruz Vitoria – Mais alta comenda concedida aos militares britânicos

Sam Browne teve problemas para carregar sua espada após os ferimentos sofridos e desenvolveu uma forte alça de couro que passava pelo ombro para manter a espada firme assim poderia acessá-la com sua mão direita. Ele permaneceu no Exército Britânico onde inventou sistema de cinto de guarnição que agora leva seu nome. Depois, quando os oficiais britânicos começaram a utilizar as pesadas pistolas .445 Webley MK IV, a alça permaneceu sendo usada para suportar o peso da arma. Então, o cinto de guarnição, que você provavelmente usa, recebeu o nome de um cara corajoso e muito engenhoso.445webleyTRADIÇÕES

Tradições são maravilhosas para os departamentos de polícia. Elas nos dão a perspectiva de onde viemos, quais são nossas prioridades, onde devem se depositadas, qual deve ser nosso papel na sociedade e para onde devemos ir. Se o sistema Browne é parte destas tradições, suas versões atualizadas são mais práticas para o policiamento moderno.

Cinto Sam Browne, também foi utilizado pelas forças policiais no Brasil.
Cinto Sam Browne, também foi utilizado pelas forças policiais no Brasil.

Na maioria das vezes, os departamentos têm deixado de usar a “alça suicida” preocupados com a segurança dos policiais – depois de numerosos incidentes quando a correia é usada para segurar o policial, ou para puxar o policial para dentro de uma multidão hostil de manifestantes. A peça tradicional, Sam Browne permanece, em muitos departamentos, como parte uniformes de gala para eventos especiais.

Peça tradicional Sam Browne
Peça tradicional Sam Browne

NOS TEMPOS DOS REVÓLVERES

Cintos de Guarnição tornaram-se fortes para suportar coldres e todo o tipo de equipamento de segurança que carregamos. O revolver foi a arma de dotação mais comum em todo os Estados Unidos desde o inicio até meados da década de 80, assim ditando o desenho dos equipamentos policiais. Carregávamos seis munições na arma mais 12 em porta munições ou, mais tarde, em carregadores rápidos (speed loaders) totalizando 18 munições. Isso mesmo, apenas uma munição a mais que um único carregador da Glock 17 e igual a uma G17 com uma na câmara. No meu departamento se você fosse pego com uma munição a mais do que o autorizado você ganharia dois dias na praia sem pagamento e com uma advertência no bolso. Naquela época os policiais eram mais brutos, nos agarrávamos os suspeitos pelo colarinho e enfiávamos as balas com as mãos. Tudo bem, talvez nos apenas pensássemos que fosse assim, mas isso é muito bom para histórias de guerra.

Porta munições, laços de couro só permitiam que uma munição fosse utilizada por vez.
Porta munições, laços de couro só permitiam que uma munição fosse utilizada por vez.

Os equipamentos policiais melhoraram muito nesta época, principalmente para condução de armas de fogo; de qualquer maneira as modificações foram graduais. Primeiro, os porta munições de couro, com laços, para recarga. Alguns eram parte dos sistemas de coldre, enquanto outros consistiam em uma placa de couro dobrada por cima do cinto de guarnição onde cada munição era retirada pressionando o cartucho por baixo e o retirando do laço. Era um método muito lento de recarga onde você tinha acesso a apenas um cartucho por vez. Eles deram lugar ao “dump pouch”. Os “dump pouches” consistiam em uma ou duas pequenas bolsas de couro que podiam levar até seis munições de cada vez. A bolsa podia girar para frente e despejar as seis munições na sua mão, permitindo uma recarga mais rápida em revolveres de seis tiros. Ou, enquanto estava em forma para revista você podia liberar o dump pouch de um companheiro e assistir de seis a doze munições caírem no chão bem quando o sargento estava se aproximando para fazer a inspeção. Isto até poderia ser divertido, mas quando isto aconteceu no momento em que executava uma prisão perdi meu bom humor bem rápido.

Dump Pouches
Dump Pouches

SPEED LOADERS

Finalmente, o speed loader apareceu, e como muitas melhorias para os cintos de guarnição, ele estava na arena. Speed Loaders comportavam as seis munições em uma posição que o revolver era recarregado de uma só vez. Você poderia ser rápido como um relâmpago com alguma prática, mas nunca seria tão rápido como na troca do carregador de 17 munições de uma semiautomática.

Speed Loader
Speed Loader

O speed loader era normalmente carregado na frente do conto de guarnição no lado da mão dominante. A técnica de recarga era liberar o tambor do revolver segura-lo com a com o polegar da mão dominante e então com o tambor apontando para cima e segurando a arma na outra mão você aperta o botão ejetor para lançar os cartuchos usados no chão. A mão dominante pega o speed loader enquanto a outra mão deve girar a arma para que o tambor aponte para baixo. Você alinha os novos cartuchos com o tambor e empurra as munições para o lugar, fecha a arma e volta para a luta. A posição para ter acesso à munição de recarga tem mudado com a adoção das pistolas semiautomáticas que agora é realizado na forma de carregadores adicionais.

Recarga com Speed Loader
Recarga com Speed Loader

PRATICIDADE

Algumas vezes as tradições devem dar lugar à praticidade. Este é o caso quando tratamos do tradicional Sam Browne. Infelizmente, com o equipamento carregado diariamente nas patrulhas o cinto de guarnição sozinho pode alcançar 15 libras ou mais. A “alça do suicídio” ajudava a carregar o peso no ombro direito. Agora sem ela, todo o peso fica nos quadris.

Até 2001 nossos cintos de guarnição, de couro, permaneceram virtualmente sem mudanças, exceto que nos foi exigido carregar cada vez mais coisas na cintura. Carregadores, porta algemas duplos, bastão policial, agora colete tático, suporte para rádio, estojo para celular, suporte para lanterna, suporte para tonfa, suporte para luvas, coldre para taser, suporte para cartuchos de taser e coldre para arma tudo adicionando peso. Você precisa ser uma mula para aguentar este tipo de carga.

Mas em 2001, a Bianchi International, agora parte da Safariland, introduziu AccuMold Elite. Agora, tínhamos um produto com aparência de couro que combinava a força e durabilidade do sintético e ainda fornecia a aparência profissional do couro que a comunidade policial precisava. A grande vantagem era que este produto tinha a metade do peso do couro tradicional. Você podia ouvir os gerentes dos departamentos de riscos celebrando em todo o país. O peso extra carregado pelos policiais levou a um grande nú mero de compensações trabalhistas reivindicadas por lesões nas costas. Agora houve uma solução para atenuar pelo menos um pouco do peso e das lesões.

Acc Mold Elite - Sintético com aparência de couro
Acc Mold Elite – Sintético com aparência de couro

OFICIAIS FEMININAS
Mais ou menos ao mesmo tempo em que aconteceu a introdução dos materiais sintéticos nos equipamentos policiais finalmente descobriram que as oficiais femininas eram diferentes dos masculinos. Uau, que revelação.
Cintos de guarnição foram introduzidos com um desenho adequado para a cintura das policiais femininas, de um modo que a parte de baixo do cinto não escavasse o quadril da policial e na parte superior mantivesse uma altura adequada de meia polegada. Também descobrira que os coldres das policiais deveriam ter um espaçador para permitir que suas armas ficassem em linha reta em vez de formar um ângulo para dentro.
COLETES TÁTICOS

Colete Tático
Colete Tático

Alguns dos mais progressistas departamentos de polícia através do país e no exterior estão repensando os uniformes dos policiais de rua de forma geral. Eles estão modificando o visual tradicional e levando em conta o conforto do policial no policiamento. É um processo difícil ir do tradicional para o casual. É preciso enfrentar a resistência dos tradicionalistas nos departamentos bem como do que é esperado pela comunidade. A maioria das pessoas, e especialmente policiais, não gostam de mudanças, mas muitos departamentos tem o compromisso de usar os coletes táticos para os policiais na rua.

Colete tático policial
Colete tático policial

Um dos muitos desafios é projetar um sistema que não apresente um visual “militarizado” uma vez que muitas ideias para sistema de coletes táticos vem diretamente dos militares. Muitos dos nossos equipamentos de segurança estão se movendo do cinto para o colete. O colete pode mostrar o nome do policial e o distintivo com aparência similar a camisa do uniforme. Carregadores, porta luvas, algemas, e outros itens que podem ser colocados em bolsos customizados na frente, lados e na parte traseira do colete, tirando o peso da cintura dos policiais e distribuindo nos ombros. Alguns modelos de coletes táticos também incorporam compartimentos para placas balísticas, proporcionando assim um sistema que realmente faça a vida mais fácil e muito mais confortável.
HISTÓRIA
É ótimo ter historia e tradições ligadas aos policiais. Grande parte da história de como o público vê e percebe a cobertura da autoridade e a presença de comando é projetada pelo uniforme do policial. Mas, essas tradições e história precisam dar lugar à praticidade. Policiais não podem sempre estar bem em seus uniformes se estão lesionados e desconfortáveis. Isso os deixará “quebrados” e as pessoas que nos servimos não gostam nem merecem policias “quebrados”.

Cinto Padrão utilizado pela maioria dos departamentos de polícia nos EUA nos anos 60 e 70
Cinto Padrão utilizado pela maioria dos departamentos de polícia nos EUA nos anos 60 e 70

As mudanças em nossos equipamentos percorreram um longo caminho desde a adoção do cinto de guarnição militar Sam Browne logo após o fim da Primeira Guerra Mundial até o que temos atualmente. Mas ainda precisam avançar muito par ajudar os policias a transportarem os equipamentos que levamos hoje.
Escrito por : Dave Douglas é policial aposentado do Departamento de Polícia de San Diego, como Sargento e instrutor. Exerceu diversas ocupações incluindo, patrulhamento, investigações e instrutor. Ele é colaborador do site POLICE Magazine a muito tempo.

Fonte: http://www.policemag.com/channel/weapons/articles/2016/09/the-evolution-of-duty-gear.aspx

Tradução e seleção de imagens: Luiz Fernando Ramos Aguiar

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