Como a omissão e a impunidade assassinaram o Sargento Vieira

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Um juramento que marca nossas vidas: Mesmo com sacrifício da própria vida! Afinal em que outra profissão alguém coloca tantas vezes a prova uma promessa desse calibre, uma aliança de auto sacrifício, em favor de ilustres desconhecidos.

Essa semana o sargento Reinaldo Francisco Vieira, 40 anos, cumpriu sua promessa, foi morto em campo, defendendo a vida de uma desconhecida, agredida por seu companheiro. Reconhecer os bons serviços prestados e honrar a memória do policial é defender o razoável e a lógica, que deveria ser tomada por todas as autoridades locais imediatamente após uma tragédia dessa proporção. Infelizmente, nas terras do ódio ao bem e do amor ao crime, até o mínimo reconhecimento se dá através de tímidas notas jornalísticas e pela presença acanhada de autoridades, não policiais, em nossos funerais. Situação que tão comum já deixou de incomodar os policiais que se resignam no propósito maior da missão, servir e proteger?

A indignação causada na morte do Sargento Vieira não é apenas em razão de sua morte prematura e violenta, que nos causa imensa tristeza e comoção, mas faz parte do exercício da profissão, conforme nosso juramento. A grande dor na perda deste profissional, que sua vida foi ceifada não apenas pelo ato de marginal, mas principalmente pela omissão da justiça brasileira, que permite que um homem com histórico de três homicídios permaneça em liberdade. Caso o assassino do sargento estivesse cumprindo pena, provavelmente nosso companheiro de farda estaria vivo. Para mim cada autoridade que liberou este marginal, conhecendo seu histórico criminoso, tem as mãos sujas com o sangue do Sargento Vieira.

Gosto de repetir o nome do Sargento Vieira para que todos que leiam este texto lembrem-se que não estamos falando de uma pessoa hipotética, de um policial qualquer, mas de homem. Como todos nos com sonhos, desejos, afetos. Neste momento um filho chora por seu pai. A esposa enxuga suas lágrimas no “símbolo augusto da paz”, lembrança recebida nos últimos minutos do funeral. O estampido seco da salva de tiros só não é mais desesperador, para familiares, amigos e companheiros de trabalho, do que longo toque silêncio, que nos faz desejar a surdez ao anúncio da despedida final.

A sociedade pede a cada policial militar que, diariamente, arrisque sua vida. Receber de volta respeito pelos serviços prestados seria o esperado.

Seria, porque o padrão é o total abandono do Estado aos que mantém a paz social e o respeito às instituições da república em todas as esferas dos poderes. Admitir como normal que um sujeito, responsável pela morte de várias pessoas, esteja nas ruas, colocando em risco a vida de outras pessoas é uma vergonha. Os burocratas que realizam esses atos possuem uma visão tão turva e deturpada da realidade, que não conseguem somar dois e dois chegando ao resultado óbvio, que os marginais reincidentes, nas ruas, cometendo todo tipo de ato bárbaro, são o resultado direto de suas ações e omissões.

Assim, podem computar mais uma morte nas estatísticas, a do sargento Vieira. Só não esqueçam de anotar, para futuras pesquisas e estudos, de suas consciências cauterizadas que a morte deste policial militar pesa em seus currículos.

Para policiais que flertam com as teorias que retiram das pessoas a responsabilidade por seus atos, colocando a culpa na sociedade, na família, na desigualdade social ou em qualquer outra adversidade, lembro que são estas teorias que resultam na liberdade prematura dos mais perigosos “cidadãos em conflito com a lei”.

O discurso de vitimização de criminosos e de criminalização da polícia é arma mais covarde usada pelos guerreiros da revolução cultural. Municiada com desonestidade intelectual, ela tem atuado como fator determinante para o quadro desesperador da segurança pública no país com mais de 50,000 homicídios.

O sargento Vieria foi mais uma vítima dessa guerra de idéias. A ideologia plantada nos corações e mentes de gerações de estudantes começa a produzir seus frutos mais malignos.

Que Deus possa consolar os familiares e amigos do sargento vieira neste momento tão difícil e doloroso. E que a sua morte possa ser um símbolo na luta contra a impunidade e pela valorização dos policiais militares em razão do alto grau de comprometimento e sacrifício exigidos pela profissão.

Olavo Mendonça.

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