Entendendo a epidemia de suicídios na polícia brasileira

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Hoje recebi a notícia, novamente, de que um colega policial militar tirou a própria vida, com a arma da polícia e dentro de um quartel. Essa notícia chocante, que ninguém quer receber, está se tornando uma rotina tenebrosa no meio policial brasileiro. Somente nesse ano, que eu tenha recebido a notícia, na Polícia Militar do Distrito Federal, foram mais de dez casos. As informações que recebo dão conta que isso está acontecendo em todas as outras policias, sejam elas militares ou civis. Alguns desses policiais que praticaram esse ato não tinham histórico de depressão ou de algum problema que a sociedade atual considere grave. Então por que isso acontece e por que temos a nítida impressão que essa tragédia está aumentando a cada dia?

Em primeiro lugar cabe uma análise do ato em si, isso é, do que chamamos suicídio, que dentro da história humana sempre aparece como uma mancha em todas as civilizações de todos os tempos. Existiram, e ainda existem, sociedades que enxergam nesse ato uma conduta normal e até esperada em determinadas situações. Na antiguidade essa prática era considerada “nobre” pelos gregos e depois pelos romanos para pessoas que estivessem em situação desonrosa. Basta lembrar do famoso suicídio de Cleópatra (que era descendente de um general grego da época de Alexandre o Grande e por isso era de cultura grega no vestir e pensar). Um outro exemplo é a cultura do haraquiri no Japão. Mas cabe lembrar que mesmo nessa cultura que ficou isolada em um arquipélago durante quase toda a sua existência e que expulsou e matou o máximo de pregadores cristãos nos séculos XVI e XVII tentando evitar a conversão da população, essa cultura pagã suicida não conseguiu se impor por si, pois precisava de um poder cultural e temporal que a difundia e que exigia essa conduta sob pena de punições ainda piores para a pessoa e para os seus familiares. O mesmo ocorreu, com bastante frequência, no neopaganismo da Alemanha de Hitler e da União Soviética de Stalin, que não raras as vezes exigiam que determinada falha de uma pessoa só podia ser “perdoada” por meio do suicídio dela. O caso mais famoso é o do Marechal Rommel durante a segunda guerra mundial, que após Hitler ter descoberto a sua participação em um complô para mata-lo, exigiu dele o suicídio, senão a família dele seria morta.

 Porém, essa cultura foi condenada e praticamente eliminada quando da conversão da civilização ocidental ao cristianismo. Durante séculos a mensagem de Cristo e a sua esperança, aliadas a pregação de uma infinidade de santos e santas, praticamente erradicou essa praga da vida cotidiana comum da população, pois desde a época do Antigo testamento essa conduta era considerada o pecado de rebelião máxima contra Deus, vedada no quinto mandamento desde os tempos de Moisés e por isso condenada a perdição eterna. Era costume da Igreja, por dois mil anos, a não realizar um enterro cristão e nem permitir que a pessoa fosse enterrada em cemitério eclesial em caso de ter se matado.

 Mas, desde a sangrenta revolução francesa e a volta dos costumes pagãos a sociedade acompanha o aumento vertiginoso dessa prática, que até então era considerada quase que erradicada da vida social. A velocidade da decadência da sociedade e dos seus costumes foi aumentada ainda mais na fase em que vivemos, ou seja, após a revolução dos costumes dos anos sessenta, mais precisamente de 1966 pra cá, onde o mundo inteiro foi invadido pela contracultura e as suas consequências mais terríveis. O Brasil não passou ileso a esse processo, muito pelo contrário sendo um dos países onde ele pode ser visto de maneira mais sinistra nas ruas degradadas de todas as grandes cidades, imundas, cheias de drogados zumbis, prostitutas e pichadas. Essa decadência só foi possível pela implosão dos valores perenes que regem a sociedade como a família, a Fé, a compaixão, a fidelidade e a moral dos bons costumes.

 Dentro das polícias essa situação é agravada pela profissão em si, que obriga os policiais a lidar diretamente com a morte de pessoas boas e de colegas, a conviver com marginais que mais parecem demônios por não possuírem as mínimas qualidades que fazem o ser humano se diferenciar de uma besta fera qualquer, além da violência de todas as formas e, no caso específico do Brasil, a impunidade. Além disso, o policial está inserido dentro da sociedade que o gerou, ou seja, ele padece dos mesmos males que a sociedade brasileira em geral como a descrença, falta de estrutura familiar, disseminação do consumo de drogas, imoralidade e inversão de valores. O resultado não podia ser outro: policiais doentes mentalmente, fisicamente e espiritualmente.

 Suportar as amargas provações da profissão de manter a lei em um país onde é comum que governantes se revezem entre os gabinetes do Governo e penitenciárias já é um fator de desmotivação, porém, quando alia-se isso a uma infinidade de crimes, o Brasil chegou a mais de 65 mil homicídios por ano, e a impunidade reinante (a Polícia Militar de São Paulo prende 150 mil bandidos por ano, sendo que somente 7 mil vão efetivamente cumprir pena nos presídios, o que mostra que vivemos no reino da impunidade) a desmotivação profissional é um sério problema.

 Contudo, o que mais agrava o quadro é a perda dos valores fundamentais da vida, que é a Fé em Deus e a família. Um policial que tem uma fé estruturada e uma família estável já terá dificuldade de se manter são em meio a esse caos que vivemos no Brasil. Já um policial que não tenha esses dois valores bem firmes terá uma grande tendência a adoecer das diversas doenças emocionais e mentais, que se não forem identificadas e tratadas, podem levar a perda da capacidade de trabalho ou a algo mais grave.

 Um erro bastante comum é achar que todas as doenças mentais/emocionais são distintas dos problemas espirituais. As duas coisas podem estar conectadas. A decisão de encerrar a vida envolve um questionamento metafísico que a psicologia não pode responder. Na Igreja católica existe uma máxima que diz “que os consultórios psiquiátricos estão cheios por que os confessionários estão vazios”. A busca das repostas sobre o sentido da vida nunca vão abandonar a mente e o coração  humano. É claro que um atendimento médico ou psicológico num primeiro momento ajuda muito, mas não resolve o problema. A pessoa deve fazer uma busca pessoal por Deus senão ela voltará a ficar doente ou ficará dependendo de medicação e consultas pelo resto da vida.

 A questão que leva uma pessoa saudável fisicamente, muitas vezes sem problemas graves financeiros ou de outra ordem, a tirar a própria vida é muito específica de cada caso, mas o que podemos afirmar com certeza é que uma pessoa, especialmente em profissões de risco ou que lidam com o sofrimento e morte de maneira contumaz, precisa buscar a Verdade de coração sincero durante o seu tempo de vida, que como sabemos pode ser grande ou pequeno, e o que Deus quer de cada um de nós como filhos Dele.

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A única resposta a para os problemas da vida é a uma pessoa viva chamada Jesus Cristo.

 Em casos como esse a culpa do ato cometido pela pessoa não é de ninguém. Isso pode ajudar a acalmar a família e amigos que ficaram perplexos com o que ela fez, as vezes se culpando em demasia. Isso é uma situação que remete ao ato livre da vontade que cada um possui, que por motivos que só ela sabe, a levaram a esse ato de desespero e fuga que tem consequências, em primeiro lugar para ela mesma, físicas e espirituais próprias.

 O Brasil já é o oitavo país em suicídio no mundo. Dentro das forças policiais isso é ainda mais grave. Toda a sociedade que vive uma decadência religiosa, moral com consequências na família e na vida cotidiana tem uma explosão dos índices de suicídio que no caso do Brasil já é uma epidemia. Esse índice tenebroso nunca vem só mas acompanhado de doenças mentais e emocionais de todos os matizes, além de outras aberrações como auto mutilações, etc. A única resposta a isso é uma busca que cada um deve fazer em buscar a Verdade de coração sincero, que levará mais cedo ou mais tarde a uma pessoa viva chamada Jesus Cristo. E depois de encontrá-lo deve-se levar o máximo de pessoas próximas e que amamos a Ele. Pois essa epidemia está devastando também a juventude e até mesmo crianças, que no Brasil estão mergulhadas no consumo de drogas, tatuagens, satanismo, depravações sexuais e outras práticas que acabam levando as pessoas a esse ato extremo de desespero e loucura.

Oremos pela nossa polícia e pelo nosso país, para que sejam libertados de todos males físicos e espirituais.

 Olavo Mendonça.

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