Resgatando a tradição olhando para a modernidade

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As modernas políticas gerenciais alardeiam aos quatro ventos as vantagens de um ambiente de trabalho que promova a integração entre os funcionários, a criatividade e o desenvolvimento de um clima organizacional positivo. Para alcançar esses objetivos empresas antenadas, como a Apple ou a Google, tem escritórios recheados de jogos e atividades de entretenimento para seus funcionários. Os locais de trabalho dessas empresas “antenadas” parecem parques de diversão para aqueles que estão em instituições tradicionais.

Refletindo sobres estas estratégias de administração, lembrei que instituições muito mais antigas, tradicionais e, rotulada por muitos, como arcaicas, adotavam práticas semelhantes com seus funcionários, as polícias militares.

Consideradas, quase sempre, como sinônimo de administração autoritária e violenta, as polícias militares, sempre mantiveram uma série de atividades com seus servidores que só agora estão sendo empregadas nas empresas privadas.

É claro que o formato empregado pelos militares vem impregnado pela sua cultura institucional. Se não existem almofadas coloridas, e outros fru-frus, o pessoal da caserna sempre desfrutou dos cassinos. Locais onde os militares podiam, em seus momentos de folga nos quartéis, jogar vídeo-game, sinuca, totó, ver televisão, interagir com seus colegas de trabalho, eram espaços destinados ao entretenimento. Funcionavam como uma válvula de escape para o cotidiano tenso da rotina policial.

Outra atividade que é fundamental às instituições militares é o treinamento físico. Mais do que preparar os profissionais para o desempenho de suas funções, que quase sempre implicam em utilização da força física e da coordenação motora, os esportes dentro dos quarteis são um elemento de socialização da tropa, desenvolvendo um sentimento de pertencimento e de valorização do indivíduo por parte da instituição. Contribuindo para que os policiais trabalhem como equipe, não como indivíduos isolados.

Ou seja, os gestores policiais militares, sempre estiveram “antenados” às necessidades de seus colaboradores. A administração militar, apesar de sua rigidez formal, ou em razão dela, aprendeu que para a obtenção dos melhores resultados é fundamental manter a motivação de seus funcionários. Ou como gostamos de dizer: Manter o moral da tropa alto!

Por isso, fica tão difícil entender o que vem acontecendo dentro das polícias militares. Enquanto as empresas privadas tem gradualmente aderido ao nosso estilo de promover integração entre seus funcionários. Estamos abandonado nossas boas tradições e abraçado apenas o que há de pior dentro do militarismo. Para manter os efetivos cada vez mais tempo no serviço operacional, fechamos nossos cassinos, cancelamos nossas instruções de treinamento físico e submetemos os militares a uma rotina de estresse. E quando a tropa fica com brilho nos olhos com a possibilidade da desmilitarização nossos comandantes ficam horrorizados.

É urgente que os gestores policiais militares entendam que, para que nosso sistema funcione com eficiência, ele deve ser aplicado de forma completa. As tradições militares são milenares e, desde tempos imemoriais, o moral da tropa sempre foi fator determinante para o sucesso das operações. Precisamos resgatar nossos valores, principalmente os que nos fizeram ser quem somos, uma força coesa onde cada comandante e comandado sente-se parte de uma mesma força e sentem orgulho de seus méritos.

O pessoal da iniciativa privada sempre aprendeu com os militares, desde a logística passando pela estruturação organizacional, parece que agora precisamos olhar para estas empresas modernas para resgatarmos nossas boas práticas do passado.

Luiz Fernando Ramos Aguiar.

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