“Brasil acima de tudo! Ninguém acima de Deus!”

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Hoje pela manhã fui surpreendida. Fui até a feirinha do Bom Fim comprar algumas coisas e pude assistir ao desfile de várias escolas, entre elas do Colégio Militar e do Colégio da Brigada, em homenagem ao 7 de setembro. Eu não sabia que o desfile aconteceria ali e, pra falar a verdade, nem havia me dado conta da data. Minha cabeça está voltada para o dia 13. Até lá terei dificuldades em lembrar de qualquer outra data. Mas, voltando ao desfile, pude ouvir e observar muita coisa interessante.

A primeira delas foi a diferença entre os poucos veteranos presentes e os estudantes em geral. Claro que a idade, por si, já contribui para a distinção, mas era nítida uma certa sobriedade (gravidade, melhor dizendo) na postura dos mais velhos, enquanto a maioria dos estudantes trazia um olhar e uma postura de quem não sabe ao certo o que está fazendo ali; outros, por sua vez, personificavam a irreverência, alheios àquilo que deveria ser rememorado e expressado no desfile. Alguns poucos, porém, pareciam saber a razão de estarem ali e portaram-se de acordo.

A segunda coisa na qual prestei atenção foi a reação dos clientes da feira. Esta é uma feira de alimentos orgânicos, comercializados por produtores locais, e para qual afluem dezenas, centenas de bichos-grilo, alternativos, esquerdistas, adoradores de guaipecas, e, por fim, vovós e vovôs que só querem comprar alguma coisa direto da horta. Contrariando os tradicionais discursos pretensamente pacifistas que jorram das bocas da maioria desse pessoal, o clima de hostilidade era evidente. Pouquíssimas pessoas pararam para prestigiar as escolas e suas bandas. A maioria seguiu comprando, alheia ao evento, reclamando que o desfile tinha “acabado com a feira”. Vi semblantes de escárnio, de desprezo, de superioridade…

O ápice, na minha opinião, foi a apresentação do Colégio Tiradentes, o único que tinha grito de guerra. Imaginem a cena: dezenas de rapazes e moças, separados em duas companhias, uniformizados, marchando e bradando seus respectivos gritos, cada um à sua vez. Não me recordo de todo o grito, mas creio que guardei na memória o essencial:

“Brasil acima de tudo! Ninguém acima de Deus!”

O silêncio dos espectadores ressoou tristemente a frieza e a indiferença na qual o povo brasileiro vive os nossos dias. Eles não sabem, mas já não é ao exército ou à polícia que se tornaram avessos. É a ordem, a disciplina, o rigor, a honra, a lealdade e outras virtudes semelhantes, parcamente ali representadas, que eles hoje odeiam. Nosso povo enamorou-se de morte pelo caos, pela bagunça, pelo improviso, pela baixeza, pela traição…

A hipótese final é notoriamente trágica: hoje, caso rebentasse uma guerra e dependêssemos dos estudantes, estaríamos perdidos; por outro lado, se dependêssemos dos clientes da feira, estaríamos mais que perdidos: estaríamos entregues.

Que nesta véspera de 07 de setembro possamos nos empenhar em fazer das nossas famílias pequenos e amorosos “quartéis”, verdadeiros núcleos de resistência à vilania onde cada um saiba o seu papel, desempenhe-o com alegria e sirva aos demais com respeito, fidelidade e amor. Pelo futuro do Brasil e para a glória de Deus!

Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria.

Fonte: Mídia sem Máscara.

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