Perdemos mais um herói. Quem dera que fosse o último!

0

“Comandante, muito obrigado por tudo o que a Polícia Militar fez pelo meu filho!”

Foram com estas palavras que a Senhora Maria, Mãe do Cabo PM João Guilherme Christofoletti Estevam, do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior, com sede em Piracicaba, morto no cumprimento do dever no último dia 05/08, me recebeu no instante em que fui transmitir a ela os meus votos de pesar, no velório de seu filho, na Câmara Municipal.

Confesso: não me contive e fui às lágrimas!

Eu tinha me preparado para um momento difícil, para ter contato com uma Mãe com mágoa no coração por estar vivendo o inverso da lógica da natureza: o normal é os filhos “enterrarem” os pais, e não o contrário, como aconteceu nesta oportunidade.

Mas a emoção atingiu o seu ápice quando me foi trazido ao conhecimento que ela solicitava que lhe fosse entregue, como recordação, uma peça de fardamento completa, igual à que seu filho usava antes de passar a atuar na área de inteligência da Polícia Militar.

Afirmava, muito emocionada, que o maior orgulho que sentia na sua vida era ver seu amado filho fardado, ostentando aquilo que era para ele uma “segunda pele”.

Sepultar um policial militar é, sem a menor dúvida, a situação que mais entristece um Comandante.

Mais difícil ainda é quando este ato decorre de uma ação em serviço: quando o policial militar cumpre o mais importante dos seus juramentos, o de “defender a sociedade, ainda que com o sacrifício da própria vida”.

Não há como se preparar para um momento como este!

Impossível conter a emoção e agir apenas com a razão.

Melhor é falar pouco para deixar de dizer algo que depois possa se arrepender.

No limite, atrevo-me apenas a dizer que poderá chegar o dia em que Mães não mais aceitarão passivamente “entregar um filho e receber um corpo”.

E isto basta!

Humberto Gouvea Figueiredo.

Fonte da Foto: Jornal de Piracicaba.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA