Governo vende terreno e QG da PMRJ será demolido

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Uma tragédia sem precedentes na história das Polícias Militares do Brasil: A venda do terreno e a demolição do prédio histórico do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

 

O prédio de um valor histórico incalculável, será demolido em agosto. A sua construção data de 1740 e, entre 1832 e 1839, sediou o Corpo de Guardas Permanentes, comandado por Duque de Caxias.

De acordo com historiadores, o terreno de 13,5 mil metros quadrados da Rua Evaristo da Veiga, no Centro, abrigou o primeiro plantio de café da cidade, foi palco da última obra pública inaugurada pelo Império e morada de duas ordens religiosas. Desde 1831 o local abriga os responsáveis pelo patrulhamento de terras cariocas, a então Guarda Real de Polícia, força que gerou as atuais PMDF e PMRJ.

 Foi feita ainda uma última tentativa de salvar o prédio que abriga todas as seções administrativas da PMRJ e do Estado maior da Corporação, através de um pedido de tombamento apresentado na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, o projeto, porém foi rejeitado através de uma manobra do Governo do Estado, selando com isso o destino do prédio.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, vinha tentando vender o prédio de 1740 há algum tempo, que chegou  a ser negociado com a Petrobras por R$ 336 milhões no ano passado. O negócio foi cancelado após a polêmica gerada com a divulgação dos planos da estatal de construir um moderno edifício no local, mas Sérgio Cabral (PMDB) não desistiu de vender o terreno.

 Outro projeto de tombamento do prédio do QG tramita desde o ano passado na Assembleia Legislativa (Alerj), mas ainda não foi votado pelo plenário. Autor da proposta, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), que é policial militar reformado, acusa a base do governo de barrar a votação, apesar de todos os prazos regimentais já terem vencido. Ramos disse que vai ajuizar, nesta quinta-feira (4), mandado de segurança pedindo que a Casa seja obrigada a votar a proposta.

Demolição

O atual prédio do QG da PM deve começar a ser demolido pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop) em agosto. A transferência dos setores da corporação para um prédio em São Cristóvão, na zona norte da cidade, começará em 17 de maio. A previsão é que a mudança seja concluída em 11 de agosto.

Antes da transferência, a PM precisa reformar os cinco andares que vai ocupar no Edifício Pedro Ernesto, na Rua Fonseca Teles. O prédio tem 18 andares, pertence à Universidade do Estado do Rio (Uerj), e atualmente é ocupado por diversos órgãos estaduais e da Prefeitura do Rio.

Os pavimentos que serão ocupados pela cúpula da PM (do 8º ao 12º) apresentam infiltrações, fios aparentes, buracos no teto e janelas quebradas. Há lixo e entulho acumulado nas salas. No 15º andar, que pegou fogo em dezembro de 2002, funcionou a extinta Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). Desde então, o prédio funciona só até o 9º pavimento.

Segundo a PM, o prédio em São Cristóvão funcionará como sede provisória. A sede definitiva do comando geral da corporação ficará no edifício onde hoje funciona o Batalhão de Choque, na Rua Salvador de Sá, no Estácio. O prédio histórico também passará por reformas após a venda do terreno do atual QG.

“A escolha do prédio da Rua Fonseca Teles se deu em conta de não existir nenhum outro prédio na região central do Rio de Janeiro que pudesse abrigar todos os órgãos administrativos do Comando. É inviável ter a administração espalhada por vários locais, principalmente em um momento importante, com vários eventos prestes a ocorrer na cidade”, diz a nota da PM.

Com isso, vemos mais uma vez, o patrimônio histórico do Brasil e a honra de uma Corporação bicentenária, serem jogados no lixo por governos demagogos e incompetentes.

Além do que, retirar a alta administração da Polícia, as vésperas de três grandes eventos internacionais, sem ter local adequado para a realocação, beira o crime. Fora o dano ao patrimônio histórico nacional que será perdido para sempre.

Fonte: O Estadão, Extra, Rvchudo.

Fonte das fotos: Extra e Rvchudo.

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