Não seja um idiota: leia o livro de Olavo de Carvalho por Rodrigo Constantino

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A grande maioria de meus leitores sabe de minhas “desavenças” com Olavo de Carvalho. Quem não souber, uma rápida busca no Google fechará o hiato. O que vem abaixo, portanto, é fruto de uma decisão nada fácil: deixar “picuinhas” pessoais de lado e focar no que considero o certo a fazer.

É verdade que minhas divergências com Olavo não são apenas pessoais, ou mesmo ideológicas; passam pela questão da postura nos debates que travamos, que considero inadmissível para um filósofo. Agravante é a reação de muitos de seus seguidores, carinhosamente chamados de “olavetes”, tamanho o grau de devoção ao mestre.

Claro, o mestre não controla os pupilos; mas se espera ao menos a dissuasão ou crítica a tanta bajulação, que chega a ser constrangedora em alguns casos. Admiração e respeito são uma coisa; idolatria é outra completamente diferente, que nenhum tutor deveria incentivar no aluno.

Feita a ressalva, não quero focar nos pontos de atrito, e sim de convergência. O momento que o Brasil vive pede isso. Olavo tem muitas qualidades, não resta dúvida. Li vários de seus artigos no passado, e gostei da imensa maioria (mesmo quando discordava da conclusão). Seu conhecimento, sua cultura e até seu estilo (à exceção do programa semanal de “talk show” que tinha) são notáveis, sou obrigado a reconhecer.

Se é a ocasião que me leva a superar as barreiras pessoais (sou uma “paródia” dele, segundo o próprio), pois o país vive uma fase delicada onde nossas liberdades jamais estiveram tão ameaçadas pelos inimigos e táticas que Olavo denuncia, não é só isso. Seria pragmatismo demais para meu gosto. Tem também o mérito que reconheço na obra organizada por Felipe Moura Brasil. Ninguém precisa concordar com tudo para respeitar um trabalho robusto e embasado.

Diz o organizador da obra: “A canalhice é a ciência mais avançada do mundo atual – opera em escala global, inclusive – e o seu resultado é justamente a multiplicação de idiotas que jamais se dão conta de sê-lo”. Concordo. E idiota, aqui, tem sentido atrelado a sua etimologia: idiotes, em grego, é aquele que nada enxerga além de si próprio. Toma a própria ignorância como régua do mundo.

Faltam mais pessoas como Sócrates na modernidade, assumindo a própria ignorância e partindo em busca de conhecimento verdadeiro, de forma honesta. A estes, não resta dúvida de que a coletânea de artigos lançada pela Record só tem a agregar. Por isso, deixo meu recado: não seja um idiota e leia o livro de Olavo de Carvalho!

Fonte: Rodrigo Constantino na Veja.

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