Reconhecimento facial da Huawei estará em teste no carnaval do Rio de Janeiro

Mesmo sob denuncias de espionagem nos EUA, Canadá e Noruega a gigante Chinesa começa a colocar suas garras no Brasil.

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No início do ano uma comitiva de deputados do PSL, partido do presidente da república Jair Bolsonaro, causou alvoroço nas redes sociais após viajarem à China para conhecer “tecnologias de segurança pública”. A excursão foi capitaneada pelo Deputado Luiz Miranda, do DF, e teve todas as despesas e hospedagem pagas pelo governo comunista. Uma das principais polêmicas resultantes do tour dos parlamentares pelo oriente foram as visitas a Huawei para conhecer seu sistema de reconhecimento facial.

A comitiva da discórdia foi formada pelos seguintes parlamentares, os deputados Daniel Silveira, Tio Trutis, Felício Laterça, Bibo Nunes, Charlles Evangelista, Marcelo Freitas, Sargento Gurgel, Aline Sleutjes e Carla Zambelli, a senadora eleita Soraya Thronicke, todos do PSL, além da deputada estadual Delegada Sheila (PSL-MG), e, claro por Luís Miranda, do DEM. Viajando de primeira classe e instalados em hotéis cinco estrelas os parlamentares foram apresentados ao sistema de reconhecimento facial chinês, que é referência mundial. Infelizmente, no país, é utilizado para controle social da população com utilização dos equipamentos e aplicativos desenvolvidos pela Huawei e empresas do gênero.

A Huawei é acusada espionagem industrial e fraude bancaria pelo governo dos Estados Unidos. Além de estar proibida de operar e instalar sua tecnologia de transmissão de dados 5G em vários países, que alegam questões de segurança nacional. O serviço de inteligência da Noruega chegou a apresentar denuncia contra empresa em seu relatório anual. O documento indicava que espionagem já estaria em curso na Russia e na própria China. A diretora do PST (serviço de inteligência norueguês), Benedicte Bjørnland fez a seguinte afirmação a imprensa em coletiva :

“Um ator como a Huawei será vulnerável às influências de seu país de origem, enquanto a China continua tendo uma lei sobre informação que obriga pessoas, entidades e empresas privadas a cooperar”


Benedicte Bjørnland diretora do serviços de inteligência da Noruega

No início de fevereiro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, avisou países aliados que será “mais difícil manter a parceria” se essas nações usarem tecnologia da Huawei.”

Atualmente EUA, Austrália e Nova Zelândia proíbem a Huawei forneça equipamento para uso de tecnologia 5G. O Canadá analisa os riscos envolvidos na presença dos produtos da empresa chinesa à segurança nacional.

A suspeita é que o governo Chinês utilize a empresa como ferramenta para colheita de dados e informações estratégicas, características biométricas dos cidadãos usando como plataforma a infraestrutura de comunicação dos países onde seus produtos e serviços estão integrados.

Mesmo com toda a polêmica e envolvida a Polícia Militar do Rio de Janeiro em parceria com a operadora Oi estão colocando em teste um sistema câmeras de vigilância de massa que será usado durante os eventos do carnaval no Rio de Janeiro. O foco da experiência será o bairro de Copacabana onde câmeras serão posicionadas nos blocos, residenciais e comerciais. O objetivo é a captura da imagem das pessoas, rosto por rosto, e placas de carros. As imagens ficam armazenadas e podem ser comparadas, por aplicativos específicos, com os bancos de dados do governo.

O sistema chinês pode capturar características do rosto para cruzar com dados armazenados pelo governo.

Com a alegação de que o sistema será usado para identificação de criminosos e de veículos roubados a captura das imagens será realizada através da operadora Oi, que enviará o conteúdo a Polícia Militar para o cruzamento das imagens capturadas com as informações das bases policiais, da justiça e do DETRAN. A PMERJ avalia que, “em um bloco de carnaval, podemos identificar de forma imediata a presença de um criminoso”.

Em declarações à imprensa o comandante da PMERJ, coronel Rogério Figueiredo de Lacerda, defendeu o sistema de câmeras como “uma ferramenta fantástica. É a modernidade, enfim, chegando”.


Coronel Rogério Figueiredo de Lacerda

Entretanto não ficou esclarecido como a Oi, que de acordo com o comandante da PMERJ obteve o sistema a um “custo zero” vai fazer o tratamento, armazenamento e a utilização dos dados obtidos durante a operação dos equipamentos. Além disso, não é possível determinar se a Huawei insere algum tipo de “Cavalo de Tróia” em seus sistemas, como suspeita a comunidade internacional.

De acordo com o site The Intercept, em 2017, na final da UEFA Champions League, o sistema de vigilância identificou 2.470 possíveis criminosos no meio da multidão. Destes, só 173 foram corretamente identificados. O índice de erro foi de 92%. Uma taxa inaceitável para os padrões das democracias ocidentais, onde os direitos fundamentais e as garantias individuais são pedras de toque para a operação das forças de segurança.

A tecnologia oferecida pela Oi é desenvolvida pela Huawei e se chama VCM (gerenciador de vídeo na nuvem). Segundo a fabricante chinesa, o diferencial dessa ferramenta é a precisão no reconhecimento de pessoas e objetos.

Mas os sistemas da gigante chinesa não estão restritos aos experimentos do carnaval carioca, a solução, vem sendo testada desde o fim de 2018, em Campinas, a menos de 100 km de São Paulo. Na Bahia a empresa também estabeleceu um projeto instalando o sistema no estado. Contudo são experiências mais modestas, mas que já apresentam resultados e inspiram os gestores à ampliação do uso da tecnologia.


André Von Zuben
Secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas,

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas, André Von Zuben, só no ano passado, aproximadamente de 130 pessoas foram detidas com a utilização dos sistemas da Huawei de monitoramento de veículos.

Mas o entusiasmo de alguns gestores não é unanimidade para o Instituo de Defesa do Consumidor (Idec), “falhas e omissões na condução do projeto podem impactar de forma irreparável direitos dos cidadãos”. Assim, a exposição de dados pessoais capturados “pode levar à quebra de privacidade em massa”.

As tecnologia de reconhecimento facial e a presença de câmeras de forma ostensiva no território chinês fazem do país um big brother moderno. No inferno comunista cada cidadão tem suas características biométricas e dados pessoais vinculados a um perfil monitorado pelo o estado. Estes perfis recebem uma pontuação, que é estabelecida de acordo com o comportamento do cidadão. Por exemplo, se você é filmado por uma câmera em um local onde não deveria estar, perde pontos em seu perfil. Quando os sistemas identificam que você estabelece contato virtual, por redes sociais ou comunicação via e-mail, com personagens que o estado considera subversivos ou marginais, mais pontos são retirado do seu perfil. Se sua pontuação é baixa executar tarefas simples, como comprar passagens de trem ou ter acesso a prédios públicos, torna-se um problema grave, uma vez que sistemas automatizados, muitas vezes vinculados aos sistemas de reconhecimento facial, controlam acessos e privilégios de acordo com este ranking.

Controle comportamental e estado policial reforçado pela tecnologia Huawei

A adoção de sistemas de reconhecimento facial trazem um controle excepcional sobre a vigilância nas ruas. O desafio é garantir que o estado não ceda a tentação de usar a tecnologia para limitar a liberdade de sua população. O desafio é ainda maior quando se trata de uma gigante como Huawei, que sob suspeita de espionagem e fraude em países democráticos, mescla suas atividades comerciais com o apoio a ditadura comunista chinesa

Com informações de:

https://www.sunoresearch.com.br/noticias/china-nega-acusacoes-noruega-huawei-espionagem/

https://theintercept.com/2019/02/27/carnaval-cameras-rio/?fbclid=IwAR06C0hqHzVMZ_ksmJ2fi6XifNt7kYZ0EN6pukmyl4Ss6_zmVde3I2qYD8Y

https://istoe.com.br/china-nega-acusacoes-da-noruega-contra-huawei-por-suposta-espionagem/

https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/01/18/reconhecimento-facial-usado-na-china-e-testado-no-brasil-saiba-como-opera.htm

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/137941-bancada-psl-interessa-sistema-reconhecimento-facial-chines.htm

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/137941-bancada-psl-interessa-sistema-reconhecimento-facial-chines.htm

https://www.tecmundo.com.br/seguranca/139161-policia-militar-oi-testam-cameras-vigilancia-massa-durante-carnaval.htm

https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2019/02/19/dono-sai-em-defesa-da-huawei-os-eua-nao-tem-como-nos-destruir.ghtml

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