Após vazamento de dados, PM herói do massacre de Realengo recebe ameaça de morte: ‘Wellington será justiçado’

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Bastaram cinco dias desde o vazamento de dados pessoais de 50 mil PMs para começarem a aparecer relatos de ameaças a policiais. As situações de risco pelas quais já passaram PMs depois que seus telefones e endereços foram divulgados na rede vão desde ameaças de morte pelo telefone a tiros para o alto na porta de casa, passando por trotes. O EXTRA ouviu histórias diferentes de PMs que já procuraram delegacias para registrar as ameaças sofridas.

Conhecido como “herói de Realengo” por conta de sua atuação, em abril de 2011, no caso do massacre da escola Tasso da Silveira, o sargento Márcio Alves foi uma das vítimas. Por volta das 10h de ontem, ele recebeu uma ligação de um número privado. Do outro lado da linha, um homem afirmou que, de posse do endereço do PM, iria vingar Wellington Menezes, o atirador que foi morto pelo policial na ocasião.

– Não sou corrupto nem miliciano. Não tenho motivo para sair de casa. Temo pela minha família – afirma.

Situação mais extrema vive um sargento do 16º BPM (Olaria), morador do Complexo da Maré, que vai sair da favela após receber trotes. Numa das ligações, sua mulher, grávida de sete meses, acreditou que o policial estava morto e teve que ser levada ao hospital:

– Meu telefone não para de tocar. Já orientei aos meus filhos para que não atendam. Trocaremos de casa. Moro em área de risco e, agora, ficou fácil um bandido encontrar a nossa casa e executar toda a minha família.

Já um sargento, lotado no 19º BPM (Copacabana) afirma ter recebido 48 ligações de um número privado, “declarando guerra” a ele.

Tiros para o alto

Além de ter recebido 48 ligações com ameaças, o policial do 19º BPM, morador do Morro do Chapadão, na Pavuna, afirma que não dorme direito desde domingo, quando um homem disparou dois tiros em frente a sua casa. “Um carro passou em frente à minha casa, ouvimos dois tiros para o alto e o barulho do veículo acelerando. Desde então, não dormi mais. Tenho que defender minha família”, contou o PM.

‘Pouco tempo’

Um integrante do coletivo Anoncyber & Cyb3rgh0sts, responsável pelo vazamento dos dados, afirmou ao EXTRA, pelo Facebook, que três pessoas participaram da invasão ao site do “Programa Estadual de Integração na Segurança”. Para entrar no sistema, eles quebraram a senha de um usuário e conseguiram entrar “em relativamente pouco tempo”.

Não vou fugir, sou um policial honesto, que honra a farda’

Entrevista com o sargento Márcio Alves, que baleou o atirador da escola Tasso da Silveira:

Que tipo de ameaça você recebeu?

Hoje (terça-feira), por volta de 10h, recebi uma ligação de um número privado. Quando atendi, um homem logo disse que o fato na escola Tasso da Silveira e a morte do Wellington não tinham sido esquecidos. Tentei argumentar e ele respondeu que, agora, com os números de telefone e endereço, eles podiam me achar. Antes de desligar, ele disse: “Agora, sua hora vai chegar e o Wellington será justiçado”.

Você sabe de onde pode ter vindo essa ameaça?

Já tinha recebido uma, por uma rede social, logo após o massacre. Uma pessoa que se dizia pertencente da mesma seita do atirador disse que viria ao Rio em janeiro de 2012 só para me matar. Acredito que possam ser pessoas do mesmo grupo, que conseguiram as informações pela internet.
Vai tomar alguma precaução? Sente que sua família está em risco?

Não vou me mudar ou trocar meu telefone. Não sou corrupto nem miliciano. Sou um policial honesto, que honra a farda. Não me envergonho da minha trajetória. Só espero que essas pessoas deixem minha família de lado. E adianto: quem quiser me matar não vai encontrar moleza.

Fonte: EXTRA.

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